Fachada da Loja Tiemi na Rua Maylaski, em SorocabaSobre a Loja

Três gerações atrás do mesmo balcão: o que cada uma trouxe

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. A primeira geração: a feira
  2. A segunda geração: a loja
  3. A escolha da especialidade
  4. A terceira geração: o digital
  5. O que cada uma teve que aprender com a outra
  6. O que não se transferiu, se manteve
  7. Uma vantagem que não se compra
  8. E também tem o outro lado
  9. O que isso significa para quem chega
  10. O que a quarta geração vai encontrar

É raro um negócio atravessar três gerações da mesma família. É mais raro ainda que as três continuem trabalhando juntas, no mesmo lugar, ao mesmo tempo. É o que acontece aqui — e o resultado é uma loja que carrega, simultaneamente, o jeito de vender de uma feira dos anos setenta e o atendimento por mensagem de quem nasceu com celular na mão.

A primeira geração: a feira

Tudo começa com a Dona Maria Sakata, que vendia em feiras espalhadas pela região com a mercadoria estendida sobre um lençol no chão. O que ela trouxe não foi um produto nem uma marca: foi um jeito de tratar as pessoas. "Sorria sempre" veio dela. A ideia de que quem passa hoje precisa querer passar de novo na semana seguinte veio dela. É a fundação de tudo.

A segunda geração: a loja

Em 1984, Kazuo e Brasília abriram a primeira loja. A mercadoria saiu do chão e ganhou prateleira, e o negócio ganhou endereço fixo. O que essa geração trouxe foi estrutura: estoque, relação com fornecedor, organização, continuidade. E trouxe também a paciência de construir devagar, que é o que permite um negócio durar quatro décadas.

A escolha da especialidade

Foi também nessa fase que veio uma decisão difícil: abrir mão de outras linhas de vestuário e fazer só enxoval de bebê. É o tipo de escolha que aperta no curto prazo e define no longo. Ela transformou a loja de um comércio de roupas em um lugar onde se sabe responder qualquer pergunta sobre vestir um recém-nascido.

A terceira geração: o digital

O momento mais recente é de 2020, quando o filho mais novo interrompeu a faculdade para trabalhar junto com os pais. O que essa geração trouxe foi alcance: WhatsApp, Instagram, entregas, blog, podcast. Coisas que permitiram atender quem não consegue vir, quem mora em outra cidade e quem prefere resolver por mensagem.

O que cada uma teve que aprender com a outra

A geração mais nova aprendeu que velocidade não é tudo, que atendimento leva tempo e que a paciência de escutar uma gestante insegura vale mais do que qualquer automação. A geração anterior aprendeu que estar no digital não é abandonar o balcão, e sim abrir mais uma porta para a mesma loja. Nenhum dos dois lados aprendeu isso sem discussão.

O que não se transferiu, se manteve

Curiosamente, o que atravessou as três gerações intacto não foi nenhuma técnica de venda. Foram os quatro princípios: sorria sempre, honestidade acima da venda, cliente é visita, estamos aqui amanhã. Cada geração mudou como trabalha; nenhuma mudou por que trabalha assim.

Uma vantagem que não se compra

Ter três gerações no mesmo lugar significa que, quando uma gestante pergunta algo, existe uma chance real de que alguém ali já tenha respondido aquela mesma pergunta mil vezes ao longo de trinta anos. Esse acúmulo de repertório não se contrata e não se treina — só se acumula com tempo.

E também tem o outro lado

Negócio de família tem desafios próprios. Discussão de trabalho vai para a mesa do almoço. Papel de filho e papel de sócio se misturam. Divergência sobre o rumo do negócio mexe com a relação familiar. A gente não vai fingir que isso não existe. Existe, e a forma de lidar é a mesma que usamos com cliente: falar com honestidade e não deixar acumular.

O que isso significa para quem chega

Significa que a pessoa que vai te atender provavelmente é da família, ou trabalha com ela há tempo suficiente para pensar do mesmo jeito. Significa que não existe um roteiro corporativo entre você e a resposta. E significa que quem te orienta responde pessoalmente pela orientação — o que é, no fim, a melhor garantia que uma loja pode oferecer.

O que a quarta geração vai encontrar

Se um dia houver uma quarta geração, ela vai encontrar tecnologia que a gente nem imagina e um mercado diferente. O que a gente espera que encontre igual é a frase do Kazuo, repetida até hoje: não importa o quanto o cliente compra, importa que ele seja um grande amigo, que acredite que somos uma grande família para ele — e o resultado é a cidade gostar da gente.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

Leia também em Sobre a Loja