Fachada da Loja Tiemi na Rua Maylaski, em SorocabaSobre a Loja

A pandemia que mudou tudo: quando o filho caçula voltou para casa

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. O que 2020 significou para uma loja de rua
  2. A decisão do filho mais novo
  3. O que entrou primeiro: o WhatsApp
  4. Depois veio o Instagram
  5. E as entregas
  6. O choque de gerações que deu certo
  7. O que a experiência ensinou
  8. A sede da Rua Maylasky
  9. O que ficou de 2020
  10. O que quase se perdeu
  11. Do lençol ao celular

Toda empresa antiga tem um momento de virada, e o nosso é recente. Em 2020, quando o mundo parou, a loja também parou — e o que veio depois reorganizou completamente o jeito de trabalhar de uma família que vendia da mesma forma havia décadas.

O que 2020 significou para uma loja de rua

Uma loja de enxoval de bebê depende de a gestante entrar, ver a peça, sentir o tecido e conversar. Quando isso deixou de ser possível, não havia plano B pronto. Não tínhamos estrutura digital, não vendíamos por telefone e o contato com as clientes acontecia quase inteiramente no balcão. De um dia para o outro, essa ponte desapareceu.

A decisão do filho mais novo

Foi nesse momento que o filho caçula interrompeu a faculdade e voltou para trabalhar junto com os pais. Não era o plano de ninguém. Era o que fazia sentido naquele momento, com a família precisando reinventar a forma de atender e com uma geração que entendia de ferramentas que os pais ainda não usavam.

O que entrou primeiro: o WhatsApp

O atendimento por WhatsApp começou por necessidade e virou parte central do negócio. Descobrimos, na prática, que era possível fazer uma consultoria de enxoval inteira por mensagem: entender o caso, tirar dúvidas, mandar foto, calcular quantidades e fechar. Para uma mulher no terceiro trimestre, cansada, isso não era só uma alternativa — em muitos casos era melhor.

Depois veio o Instagram

O segundo passo foi mostrar a loja para quem não podia entrar. Fotos de peça, explicação de tamanho, resposta de dúvida, bastidor. O que começou como substituto do balcão virou um canal próprio, com mais de 25 mil pessoas acompanhando. E, o mais interessante, trouxe gente de fora de Sorocaba que nunca tinha ouvido falar da gente.

E as entregas

O terceiro elemento foi levar o produto até a casa da cliente. Parece óbvio hoje; não era em uma loja que sempre funcionou com a pessoa presente. Organizar isso mudou a logística interna e abriu a possibilidade de atender quem mora longe, quem está de repouso ou quem simplesmente não consegue sair.

O choque de gerações que deu certo

Vale ser honesto: não foi tranquilo. Uma geração acostumada a um jeito de trabalhar e outra chegando com propostas novas produzem atrito. O que fez funcionar foi que ninguém tentou substituir ninguém. As ferramentas mudaram; o jeito de tratar quem chega continuou exatamente o mesmo. A modernização foi de canal, não de valores.

O que a experiência ensinou

Aprendemos que atendimento de qualidade não depende do meio. Uma conversa honesta por mensagem, com tempo e atenção, entrega o mesmo que uma conversa no balcão. E aprendemos que a nossa cliente não escolhe entre físico e digital — ela usa os dois, muitas vezes no mesmo dia, e espera encontrar a mesma loja nos dois lugares.

A sede da Rua Maylasky

Foi esse período que tornou possível construir a sede atual, na Rua Maylasky, 28, no Centro de Sorocaba. Um espaço pensado para o tipo de atendimento que a gente faz: com lugar para sentar, com tempo, com estrutura para receber gestante acompanhada e para realizar encontros e workshops.

O que ficou de 2020

Ficou o WhatsApp, ficou o Instagram, ficaram as entregas, ficou uma geração a mais dentro do negócio e ficou uma sede nova. Ficou também a certeza de que dá para modernizar sem virar outra coisa — de que é possível ter atendimento digital e continuar sendo a loja em que a pessoa senta, toma um café e conversa.

O que quase se perdeu

Vale registrar também o que esteve em risco. Uma loja de rua sem canal digital, em 2020, poderia simplesmente não ter atravessado. Muitas não atravessaram. Se hoje falamos disso como um capítulo de virada, é porque deu certo — mas na época era incerteza pura, com decisões tomadas sem saber quanto tempo aquilo ia durar. Esse período deixou uma lição que não some: nenhum negócio pode depender de um caminho único até o cliente.

Do lençol ao celular

A Dona Maria vendia com a mercadoria estendida sobre um lençol no chão de uma feira. Hoje respondemos mensagens de gestantes de várias cidades. São situações que não poderiam ser mais diferentes, e no entanto a pergunta que orienta as duas é idêntica: essa pessoa está sendo bem atendida e está levando o que realmente precisa?

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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