Sobre a LojaO que Kazuo diz para os filhos até hoje
Por Tiemi — consultora de enxoval · 3 min de leitura
Neste post
Existe uma frase que atravessa gerações nesta loja. Não está escrita na parede nem impressa em material nenhum. É dita, repetida e cobrada. Vem do Kazuo, que abriu a primeira loja em 1984 junto com a Brasília, e é o mais próximo de um manual que a gente tem.
A frase
"Não importa o quanto o cliente compra. Importa que ele seja um grande amigo de vocês, que ele acredite que vocês são uma grande família para ele. O resultado é a cidade gostar de vocês."
Por que ela é desconfortável
Porque ela desloca o objetivo. Toda empresa é medida pelo quanto vende, e é natural que quem trabalha atrás de um balcão pense em faturamento. A frase diz o contrário: o que importa não é o valor da compra, é a relação que sobrou depois dela. Isso obriga a repensar o que se considera um bom dia de trabalho.
O que ela cobra na prática
Cobra dizer "isso você não precisa" mesmo quando dizer isso custa uma venda. Cobra atender com a mesma atenção quem vai levar tudo e quem entrou só para perguntar um endereço. Cobra assumir erro em vez de contornar. E cobra paciência em dia cheio, quando o mais fácil seria acelerar.
De onde ela vem
Vem de antes da loja. A Dona Maria Sakata vendia em feiras da região com a mercadoria estendida sobre um lençol no chão. Quem trabalha em feira depende de a mesma pessoa passar de novo na semana seguinte. Se você empurrar o que ela não precisa, você perde a semana inteira. A frase do Kazuo é essa lição, dita de outro jeito.
Ela explica os outros princípios
Os quatro valores que orientam o nosso trabalho — sorria sempre, honestidade acima da venda, cliente é visita, estamos aqui amanhã — são desdobramentos dela. Se o objetivo é virar amigo de quem entra, sorrir deixa de ser técnica de venda, a honestidade deixa de ser opcional, a pressa deixa de fazer sentido e o horizonte de tempo se estende para anos.
"A cidade gostar de vocês"
Essa é a parte mais ambiciosa da frase e a mais difícil de medir. Não é sobre reconhecimento de marca. É sobre uma loja de rua, em uma cidade específica, com nome e endereço, sendo lembrada com afeto pelas pessoas que moram ali. Depois de quarenta e dois anos, é o único indicador que a família realmente persegue.
Como saber se está funcionando
Não existe planilha para isso, mas existem sinais. Alguém entra e chama todo mundo pelo nome. Uma cliente volta anos depois, grávida do segundo, e traz a irmã. Uma mãe manda mensagem só para contar que o bebê nasceu. Um comentário no Google elogiando o fato de terem dito para ela comprar menos. Nada disso aparece no fechamento do mês, e é tudo o que interessa.
O que ela não é
Não é discurso de fachada. Uma empresa precisa vender para existir, e a gente vende. A frase não nega isso — ela apenas define a ordem: primeiro a relação, depois a venda, porque a segunda decorre da primeira. Inverter essa ordem funciona uma vez com cada pessoa.
Por que ela é repetida
Porque valor que não se repete some. Toda pessoa que entra para trabalhar aqui ouve essa frase nos primeiros dias, junto com a história da feira e do lençol no chão. Quando o valor vem acompanhado da história, ele gruda de um jeito que nenhum treinamento reproduz.
O que ela significa para você
Significa que a orientação que você recebe aqui não está calculada para fechar a venda de hoje. Significa que você pode vir só olhar, montar a lista e ir embora sem comprar. E significa que, se algo der errado, existe alguém que responde pessoalmente — porque a relação é o produto, e não o contrário.
O convite
Se você quiser conhecer, estamos na Rua Maylasky, 28, no Centro de Sorocaba, de segunda a sexta das 9h às 18h e aos sábados das 9h às 14h. Não é preciso comprar nada. Basta entrar.
Sobre quem escreve
Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.
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