Sobre a LojaO que a gente não vende — e por quê
Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura
Neste post
- A decisão de abrir mão
- Por que a especialização importa aqui
- O que a gente não trabalha
- O que a gente faz quando você precisa do que não temos
- Também dizemos o que você não precisa comprar
- Excesso também entra na conta
- O que ganhamos com isso
- E você ganha o quê?
- A conta do curto e do longo prazo
- Uma vitrine menor, de propósito
- O que isso significa quando você chegar
É estranho uma loja escrever sobre o que não tem. Mas essa é uma das decisões mais importantes que já tomamos, e ela explica boa parte do jeito como atendemos hoje. Fazemos uma coisa só, e fazemos por escolha.
A decisão de abrir mão
Por muitos anos, a loja trabalhou com várias linhas de vestuário. Funcionava. Em algum momento, porém, ficou claro que estar em muitas categorias significava não ser referência em nenhuma. E que a parte do negócio em que a gente realmente sabia orientar, em que as conversas eram mais longas e as pessoas voltavam para agradecer, era sempre a mesma: enxoval de bebê.
Por que a especialização importa aqui
Enxoval é uma categoria enganosamente complexa. Envolve tamanho que não é padronizado entre marcas, tecido que afeta a pele, modelagem que muda a praticidade da troca de fralda, quantidades que dependem do clima e da rotina de lavagem, e uma lista enorme de itens que a indústria chama de indispensáveis e que ficam na gaveta. Para orientar isso bem, é preciso conhecer profundamente — e conhecimento profundo exige foco.
O que a gente não trabalha
Não somos loja de móveis, de brinquedos, de puericultura pesada nem de roupa infantil de outras faixas etárias. Não temos carrinho, cadeirinha de carro, berço e uma série de itens que aparecem nas listas de enxoval. Não é falta de espaço nem de interesse: é a mesma decisão de fazer uma coisa bem.
O que a gente faz quando você precisa do que não temos
Indicamos onde encontrar. Isso acontece todo mês, e não é gentileza calculada — é o princípio de honestidade acima da venda funcionando. Empurrar um substituto que não resolve o seu problema seria pior para você e, no prazo em que a gente pensa, pior para nós também.
Também dizemos o que você não precisa comprar
Existe uma segunda categoria: coisas que existem no mercado, que caberiam aqui e que a gente deliberadamente não recomenda. Sapato rígido para bebê que não anda. Kit de berço com protetor e travesseiro, que vai contra as recomendações de sono seguro. Colar de âmbar e itens semelhantes, desaconselhados por risco de estrangulamento e engasgo. Nesses casos, a recusa é de segurança.
Excesso também entra na conta
Há ainda o que não vendemos em quantidade. Se você quer levar quinze bodies tamanho recém-nascido, a gente vai dizer que quatro ou seis resolvem, porque esse tamanho dura de duas a quatro semanas e muitos bebês nem chegam a usar. Vender quinze seria fácil. Seria também a última vez que você acreditaria na nossa orientação.
O que ganhamos com isso
Ganhamos profundidade. Quando alguém pergunta a diferença entre duas malhas de algodão, ou por que uma gola esgarça e outra não, ou quantos bodies fazem sentido para quem lava roupa duas vezes por semana, existe uma resposta pronta e testada em quatro décadas de balcão. Isso não se consegue com catálogo largo.
E você ganha o quê?
Ganha orientação que vale alguma coisa. Uma indicação só tem peso porque existe a recusa: quando você sabe que a gente diz "isso você não precisa", passa a acreditar de verdade quando dizemos "isso vale a pena". É a recusa que dá crédito ao conselho.
A conta do curto e do longo prazo
No curto prazo, tudo isso reduz o ticket. No longo, é o que constrói uma cliente que volta no tamanho seguinte, na chegada do segundo filho e que traz a irmã. Depois de quarenta e dois anos, a gente tem dados suficientes para dizer que a segunda conta é melhor.
Uma vitrine menor, de propósito
Isso tem um efeito visível: quem entra aqui esperando encontrar de tudo vai achar a loja pequena para o que imaginava. É proposital. Preferimos que você saia com cinco opções bem explicadas a que fique diante de cinquenta sem saber qual escolher. Excesso de escolha, numa fase em que a cabeça já está cheia, atrapalha mais do que ajuda.
O que isso significa quando você chegar
Significa que a nossa vitrine é menor do que poderia ser, de propósito. E significa que, dentro do que temos, você vai encontrar alguém capaz de explicar a diferença entre uma peça e outra com detalhe — porque é só disso que a gente entende, e é nisso que a gente escolheu ser bom.
Sobre quem escreve
Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.
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