Fachada da Loja Tiemi na Rua Maylaski, em SorocabaSobre a Loja

O que a gente não vende — e por quê

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. A decisão de abrir mão
  2. Por que a especialização importa aqui
  3. O que a gente não trabalha
  4. O que a gente faz quando você precisa do que não temos
  5. Também dizemos o que você não precisa comprar
  6. Excesso também entra na conta
  7. O que ganhamos com isso
  8. E você ganha o quê?
  9. A conta do curto e do longo prazo
  10. Uma vitrine menor, de propósito
  11. O que isso significa quando você chegar

É estranho uma loja escrever sobre o que não tem. Mas essa é uma das decisões mais importantes que já tomamos, e ela explica boa parte do jeito como atendemos hoje. Fazemos uma coisa só, e fazemos por escolha.

A decisão de abrir mão

Por muitos anos, a loja trabalhou com várias linhas de vestuário. Funcionava. Em algum momento, porém, ficou claro que estar em muitas categorias significava não ser referência em nenhuma. E que a parte do negócio em que a gente realmente sabia orientar, em que as conversas eram mais longas e as pessoas voltavam para agradecer, era sempre a mesma: enxoval de bebê.

Por que a especialização importa aqui

Enxoval é uma categoria enganosamente complexa. Envolve tamanho que não é padronizado entre marcas, tecido que afeta a pele, modelagem que muda a praticidade da troca de fralda, quantidades que dependem do clima e da rotina de lavagem, e uma lista enorme de itens que a indústria chama de indispensáveis e que ficam na gaveta. Para orientar isso bem, é preciso conhecer profundamente — e conhecimento profundo exige foco.

O que a gente não trabalha

Não somos loja de móveis, de brinquedos, de puericultura pesada nem de roupa infantil de outras faixas etárias. Não temos carrinho, cadeirinha de carro, berço e uma série de itens que aparecem nas listas de enxoval. Não é falta de espaço nem de interesse: é a mesma decisão de fazer uma coisa bem.

O que a gente faz quando você precisa do que não temos

Indicamos onde encontrar. Isso acontece todo mês, e não é gentileza calculada — é o princípio de honestidade acima da venda funcionando. Empurrar um substituto que não resolve o seu problema seria pior para você e, no prazo em que a gente pensa, pior para nós também.

Também dizemos o que você não precisa comprar

Existe uma segunda categoria: coisas que existem no mercado, que caberiam aqui e que a gente deliberadamente não recomenda. Sapato rígido para bebê que não anda. Kit de berço com protetor e travesseiro, que vai contra as recomendações de sono seguro. Colar de âmbar e itens semelhantes, desaconselhados por risco de estrangulamento e engasgo. Nesses casos, a recusa é de segurança.

Excesso também entra na conta

Há ainda o que não vendemos em quantidade. Se você quer levar quinze bodies tamanho recém-nascido, a gente vai dizer que quatro ou seis resolvem, porque esse tamanho dura de duas a quatro semanas e muitos bebês nem chegam a usar. Vender quinze seria fácil. Seria também a última vez que você acreditaria na nossa orientação.

O que ganhamos com isso

Ganhamos profundidade. Quando alguém pergunta a diferença entre duas malhas de algodão, ou por que uma gola esgarça e outra não, ou quantos bodies fazem sentido para quem lava roupa duas vezes por semana, existe uma resposta pronta e testada em quatro décadas de balcão. Isso não se consegue com catálogo largo.

E você ganha o quê?

Ganha orientação que vale alguma coisa. Uma indicação só tem peso porque existe a recusa: quando você sabe que a gente diz "isso você não precisa", passa a acreditar de verdade quando dizemos "isso vale a pena". É a recusa que dá crédito ao conselho.

A conta do curto e do longo prazo

No curto prazo, tudo isso reduz o ticket. No longo, é o que constrói uma cliente que volta no tamanho seguinte, na chegada do segundo filho e que traz a irmã. Depois de quarenta e dois anos, a gente tem dados suficientes para dizer que a segunda conta é melhor.

Uma vitrine menor, de propósito

Isso tem um efeito visível: quem entra aqui esperando encontrar de tudo vai achar a loja pequena para o que imaginava. É proposital. Preferimos que você saia com cinco opções bem explicadas a que fique diante de cinquenta sem saber qual escolher. Excesso de escolha, numa fase em que a cabeça já está cheia, atrapalha mais do que ajuda.

O que isso significa quando você chegar

Significa que a nossa vitrine é menor do que poderia ser, de propósito. E significa que, dentro do que temos, você vai encontrar alguém capaz de explicar a diferença entre uma peça e outra com detalhe — porque é só disso que a gente entende, e é nisso que a gente escolheu ser bom.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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