Mãe embalando o bebê no quarto com luz baixaSono do Bebê

Dentição e sono: o que realmente atrapalha nesse período

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. O que a dentição realmente causa
  2. O que ela não causa
  3. Quanto tempo dura o desconforto
  4. As outras causas que se confundem
  5. O que alivia de verdade
  6. O que deve ser evitado
  7. Cuidados nas noites difíceis
  8. Quando investigar mais

Quando o sono do bebê piora de repente, a explicação mais oferecida é sempre a mesma: são os dentes. É uma resposta cômoda, disponível durante praticamente todo o primeiro e o segundo ano, e que muitas vezes está certa. Também é, com frequência, uma explicação que encobre outras causas e que atrasa ajustes que resolveriam o problema. Vale separar o que a dentição realmente provoca daquilo que costuma ser atribuído a ela.

O que a dentição realmente causa

Comecemos pelo que se sabe. A erupção dentária causa desconforto local, com sensibilidade e inflamação na gengiva, e esse desconforto é mais perceptível quando não há distrações, o que inclui a noite. Estudos que acompanharam bebês em períodos de erupção identificaram associação com irritabilidade, salivação aumentada, vontade de morder, alterações leves de apetite e sono mais agitado. Ou seja, a dentição de fato interfere no sono, mas em geral de forma moderada e por períodos curtos, em torno dos dias imediatamente anteriores e posteriores à erupção de cada dente.

O que ela não causa

Igualmente importante é o que a dentição não causa. Febre alta, diarreia intensa, vômitos, tosse, coriza abundante e prostração não são atribuíveis à erupção dentária. Pode haver elevação discreta da temperatura, mas febre significativa merece avaliação médica, porque atribuí-la aos dentes pode atrasar o diagnóstico de uma infecção. Essa é provavelmente a informação mais útil deste texto: dente não dá febre alta.

Quanto tempo dura o desconforto

Sobre a duração, aqui está o ponto que mais confunde. Um bebê tem cerca de vinte dentes decíduos, que erupcionam ao longo de aproximadamente dois anos. Se cada dente causasse duas semanas de sono ruim, o resultado seria praticamente todo o período coberto por dentição, o que torna a explicação impossível de refutar. Na prática, o desconforto costuma se concentrar em poucos dias por dente, e períodos longos de sono ruim geralmente têm outras causas concorrentes.

As outras causas que se confundem

Quais são essas outras causas? Saltos de desenvolvimento, em que o bebê aprende a rolar, sentar, engatinhar ou ficar em pé, costumam bagunçar o sono por semanas, porque ele pratica a nova habilidade inclusive dormindo. Transições de sonecas, quando o bebê precisa reduzir o número de cochilos, geram um período de ajuste com despertares e resistência. Mudanças de rotina, entrada na creche, viagens, doenças e ansiedade de separação, que costuma aparecer por volta dos oito a dez meses, também alteram significativamente o sono. Vale considerar essas hipóteses antes de concluir que é dente.

O que alivia de verdade

Quando a dentição realmente estiver incomodando, existem medidas de alívio que ajudam. Mordedores de silicone ou borracha atóxica, resfriados na geladeira e nunca no congelador, aliviam pela combinação de pressão e frio. Um pano limpo e úmido, levemente gelado, funciona bem e custa nada. Massagear a gengiva com o dedo limpo antes de dormir traz alívio imediato em muitos bebês. Analgésicos podem ser usados quando indicados pelo pediatra, na dose adequada ao peso, e costumam ser mais úteis quando administrados antes do horário de dormir, e não no meio da madrugada.

O que deve ser evitado

Devem ser evitados: géis anestésicos sem orientação, especialmente os que contêm benzocaína, alvo de alertas de segurança para uso em bebês; colares de âmbar e similares, por risco de estrangulamento e engasgo; mordedores congelados a ponto de ficarem rígidos, que podem machucar a gengiva; e receitas caseiras com álcool ou substâncias não indicadas.

Cuidados nas noites difíceis

Alguns cuidados adicionais ajudam nas noites difíceis. A salivação intensa umedece o travesseiro e a roupa, o que resfria e incomoda; trocar a roupa antes de dormir e ter um babador durante o dia reduz também a irritação da pele no queixo e no pescoço. Manter a rotina de sono estável durante o período, sem criar hábitos novos que serão difíceis de desfazer depois, evita que uma fase de poucos dias se transforme em um padrão de meses.

Quando investigar mais

Por fim, se o sono estiver ruim por semanas seguidas, vale investigar mais a fundo em vez de aceitar a explicação fácil. Refluxo, alergias, apneia, otite de repetição e desconfortos persistentes têm apresentações que se confundem com dentição, e merecem avaliação. Dentição explica dias ruins; ela raramente explica meses.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

Leia também em Sono do Bebê