Mãe embalando o bebê no quarto com luz baixaSono do Bebê

Cama compartilhada: riscos, contraindicações e práticas mais seguras

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. Compartilhar o quarto x compartilhar a cama
  2. As contraindicações absolutas
  3. Redução de danos quando acontece
  4. O posicionamento na cama
  5. O berço acoplável
  6. O motivo real: exaustão
  7. Converse com o pediatra
  8. Os princípios que permanecem

Poucos temas do universo do sono infantil geram tanto silêncio constrangido quanto a cama compartilhada. Ela é praticada por uma parcela enorme de famílias, muitas vezes sem planejamento, no meio da madrugada, por exaustão. E, ao mesmo tempo, é um tema em que as recomendações oficiais são bastante claras. Vale falar sobre isso com honestidade, porque o silêncio faz com que a prática aconteça sem informação, o que é o pior dos cenários.

Compartilhar o quarto x compartilhar a cama

Comecemos pela distinção fundamental. Compartilhar o quarto e compartilhar a cama são coisas diferentes. As entidades de pediatria recomendam que o bebê durma no mesmo quarto que os pais, em superfície separada e apropriada, como berço ou moisés, ao menos nos primeiros seis meses e idealmente até o primeiro ano, porque isso está associado à redução do risco de morte súbita do lactente. Já o compartilhamento de cama, ou colecho, não é recomendado pelas mesmas entidades, por estar associado a maior risco de morte súbita, sufocamento e aprisionamento.

As contraindicações absolutas

Existem situações em que o risco é comprovadamente muito maior, e essas são contraindicações absolutas. Não se deve compartilhar a cama quando o bebê tem menos de três a quatro meses; quando nasceu prematuro ou com baixo peso; quando algum adulto fumou durante a gestação ou fuma atualmente; quando algum adulto consumiu álcool, drogas ou medicamentos que causam sonolência; quando o adulto está extremamente cansado a ponto de ter sono muito pesado; e quando a superfície não é uma cama adequada. Adormecer com o bebê em sofá, poltrona ou cadeira é a situação de maior risco documentado, e deve ser evitada em qualquer circunstância.

Redução de danos quando acontece

Ao mesmo tempo, a realidade é que muitas famílias acabam dormindo com o bebê, seja por escolha, seja por circunstância. Reconhecendo isso, diversas instituições de saúde pública adotam uma abordagem de redução de danos, orientando sobre como tornar a situação menos arriscada quando ela ocorre. As recomendações incluem: colchão firme e plano, sem afundamentos; ausência de travesseiros, edredons, almofadas e bichos de pelúcia próximos ao bebê; bebê deitado de barriga para cima, sempre; roupa leve para evitar superaquecimento; ausência de frestas entre o colchão e a parede ou a cabeceira, onde o bebê possa ficar preso; e nenhuma outra criança ou animal na cama.

O posicionamento na cama

O posicionamento também importa. A orientação é que o bebê fique ao lado da mãe, e não entre o casal, com a mãe em posição de proteção, com as pernas dobradas e o braço acima da cabeça do bebê, formando um espaço protegido. Essa postura, observada em mães que amamentam, tende a impedir que o corpo role sobre o bebê. Cabelos longos devem estar presos e cordões de roupas devem ser evitados.

O berço acoplável

Uma alternativa que concilia proximidade e segurança é o berço acoplável, também chamado de sidecar. Trata-se de um berço com uma lateral aberta, fixado ao lado da cama dos pais, na mesma altura e sem frestas. Ele permite que a mãe alcance o bebê para amamentar sem se levantar, mantendo o bebê em superfície própria, com colchão adequado. Para muitas famílias, essa é a solução que resolve o motivo real do colecho, que costuma ser a exaustão das mamadas noturnas.

O motivo real: exaustão

Vale nomear esse motivo com clareza. A maior parte das famílias que compartilha a cama não escolheu isso por convicção, e sim por cansaço extremo. Amamentar sentada várias vezes por noite é insustentável para muita gente, e adormecer com o bebê acaba acontecendo. É exatamente por isso que a informação importa: se vai acontecer, é melhor que aconteça em uma cama preparada do que em um sofá, às quatro da manhã, sem intenção.

Converse com o pediatra

Se você compartilha a cama por escolha e o bebê está fora das contraindicações, converse abertamente com o pediatra. Um profissional que sabe da sua realidade pode orientar de forma prática, em vez de repetir uma recomendação genérica que você não vai seguir. Omitir a informação por medo de julgamento retira de você a chance de receber orientação adequada.

Os princípios que permanecem

Por fim, qualquer que seja a escolha, os princípios do sono seguro permanecem: barriga para cima, superfície firme, ambiente livre de objetos macios, sem excesso de calor, sem exposição a fumaça e com atenção a todos os fatores de risco conhecidos.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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