FamíliaCarta ao primeiro filho quando chega o segundo
Por Tiemi — consultora de enxoval · 3 min de leitura
Neste post
Quando a segunda gravidez se confirma, a alegria quase sempre vem acompanhada de um pensamento que pouca gente diz em voz alta: será que vou conseguir amar outro como amo este? E logo em seguida outro, mais difícil: será que estou tirando alguma coisa do meu primeiro filho?
Muita mãe passa a gestação inteira olhando para o mais velho com um aperto no peito. Este texto é para ela, e termina com uma carta que você pode adaptar e guardar.
A culpa que chega antes do bebê
O primeiro filho teve tudo só para ele: o colo, a atenção, as fotos, o silêncio da casa. O segundo vai dividir desde o primeiro dia. E é comum a mãe sentir que está quebrando uma promessa que nunca chegou a fazer.
Vale lembrar que essa culpa é sinal de vínculo, não de erro. Você se preocupa porque ama. E o que está chegando para o mais velho não é só uma perda de exclusividade. É uma pessoa que vai conhecer a infância dele por dentro, como ninguém mais vai.
O amor não se divide
A imagem mais usada pelas mães de dois é a da vela: acender uma segunda não diminui a chama da primeira. Quem já passou por isso costuma contar que o amor pelo segundo não ocupou o lugar de nada. Apareceu um espaço que não existia.
O que se divide, e isso é honesto dizer, é o tempo e o colo. Por isso os primeiros meses podem ser apertados para todo mundo. Não é falta de amor. É falta de braço.
O que o mais velho sente
Cada criança reage de um jeito. Algumas ficam encantadas, outras indiferentes, outras bravas. Muitas alternam as três coisas no mesmo dia. Pedir colo de novo, querer a chupeta que já tinha largado ou ficar mais grudado são formas de perguntar "ainda tem lugar para mim?".
A resposta não precisa de discurso. Precisa de pequenas provas repetidas.
Gestos simples que ajudam
- Reserve alguns minutos por dia só com o mais velho, sem o bebê no colo, nem que sejam dez. - Deixe que ele participe quando quiser: buscar a fralda, escolher a roupinha do irmão. - Evite dizer "agora não posso por causa do bebê". Prefira "já vou, estou terminando aqui". - Conte histórias de quando ele era bebê e mostre as fotos. - Peça às visitas que cumprimentem primeiro o mais velho. - Guarde uma roupinha dele para o irmão usar e conte isso para ele.
Esse último gesto costuma funcionar melhor do que parece. A criança vê o irmão vestindo algo que foi dela e entende, do jeito dela, que os dois fazem parte da mesma história.
A carta
"Meu amor,
Antes de você, eu não sabia ser mãe. Foi você que me ensinou. Errei com você primeiro, aprendi com você primeiro, e tudo o que eu souber fazer pelo seu irmão eu devo a você.
Daqui a pouco a casa vai ficar mais barulhenta. Vai ter dia em que eu vou demorar para atender, e dia em que eu vou estar cansada demais. Quando isso acontecer, quero que você saiba de uma coisa: nada mudou aqui dentro.
Você não deixou de ser o meu bebê. Você virou o irmão mais velho de alguém, que é um título que ninguém mais vai ter.
Você me fez mãe. Isso ninguém tira de você.
Com todo o meu amor, sua mãe."
Escreva a sua versão, com a data, e guarde. Um dia ele vai ler.
Para o enxoval do segundo
Na prática, o segundo filho costuma precisar de bem menos do que o primeiro, porque muita coisa pode ser reaproveitada. Aqui no site, a lista de enxoval personalizada deixa você marcar o que já tem em casa e mostra só o que falta comprar. E, se a família quiser presentear, o chá de bebê da Tiemi transforma os presentes em crédito para você escolher com calma na loja, na Rua Maylaski, 28, no Centro de Sorocaba.
Sobre quem escreve
Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.
