FamíliaA roupinha que passou de geração
Por Tiemi — consultora de enxoval · 3 min de leitura
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Em muitas casas existe uma caixa no alto do guarda-roupa. Dentro dela, embrulhada em papel de seda, há uma peça pequena: uma manta de crochê, um casaquinho de lã, a roupa da saída da maternidade. Ninguém usa há décadas. E ninguém tem coragem de dar.
Essa peça vestiu a mãe. Às vezes vestiu a avó. E está esperando o próximo bebê da família.
Por que uma roupa pequena pesa tanto
Roupa de bebê é das poucas coisas que guardam o tamanho de alguém. A foto mostra o rosto, mas a roupa mostra o quanto aquela pessoa cabia nos braços. Quem abre a caixa e segura o macacão da própria infância entende, na mão, que já foi daquele tamanho, e que alguém cuidou.
Por isso essas peças viram herança. Não pelo valor, mas pelo que carregam: o ponto de tricô da bisavó, o bordado com as iniciais, o cheiro de guardado que lembra a casa de alguém.
As peças que mais atravessam o tempo
- A manta, quase sempre feita à mão. - A roupa da saída da maternidade. - A roupa do batizado ou da apresentação. - O primeiro sapatinho. - A touca e o casaquinho de tricô. - Um vestido ou conjunto de festa do primeiro aniversário.
Peças de algodão, lã e linho, bem costuradas, são as que resistem. É um bom critério também para quem está comprando hoje e gostaria de guardar.
Vestir o bebê com a história da família
Usar a peça antiga no bebê novo é um gesto que emociona as gerações mais velhas de um jeito difícil de explicar. A avó vê no neto a roupa que costurou para a filha. O avô reconhece a manta em que o filho veio para casa.
Não precisa ser o dia inteiro. Pode ser só para uma foto, que depois vai para o porta-retrato ao lado da foto antiga, com a mesma roupa e quarenta anos de diferença.
Como guardar para a próxima geração
Alguns cuidados simples fazem a peça durar.
- Lave e seque completamente antes de guardar. - Evite saco plástico fechado. Prefira tecido de algodão ou papel de seda. - Guarde em lugar seco, arejado e longe da luz. - Não use naftalina. Sachês de tecido são suficientes. - Abra a caixa uma vez por ano para arejar. - Coloque junto um bilhete com o nome de quem usou e a data.
O bilhete é o detalhe que mais faz diferença. Daqui a trinta anos, ninguém vai lembrar de quem foi o casaquinho, a não ser que esteja escrito.
Quando a família não guardou nada
Muita gente não tem peça antiga. Mudanças, enchentes, tempos difíceis, ou simplesmente uma época em que não se guardava. Não é uma falta. É a chance de começar.
A tradição pode nascer com você. Escolha uma peça do seu bebê, a que tiver mais significado, e separe. Um dia ela vai ser a roupa antiga de alguém.
Uma conversa que vale ter
Se a sua mãe ou a sua sogra guardou alguma coisa, peça para ver. Pergunte quem fez, quando foi usada, o que aconteceu naquele dia. Essas conversas raramente acontecem sozinhas, e as histórias vão embora junto com as pessoas.
Grave um áudio, se puder. É mais uma coisa para guardar na caixa.
Quarenta e dois anos vestindo famílias
A Tiemi existe desde 1984, e uma das maiores alegrias do nosso balcão é atender a avó que comprou aqui o enxoval da filha e hoje volta para escolher o da neta. Se você quer começar a sua tradição, venha escolher com calma a peça que vai ficar guardada, na Rua Maylaski, 28, no Centro de Sorocaba. E aqui no site você monta a lista de enxoval personalizada para saber o que mais vale levar.
Sobre quem escreve
Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.
