Saúde do BebêResfriados e viroses no primeiro ano: o que é esperado e o que observar
Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura
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Poucas coisas assustam mais do que o primeiro nariz entupido, a primeira tosse ou a primeira febre de um bebê. E, para muitas famílias, esse primeiro episódio é seguido de outro, e de outro, especialmente quando a criança entra na creche. Saber o que é esperado, o que costuma acompanhar cada quadro e quais sinais merecem avaliação imediata ajuda a atravessar essa fase com menos ansiedade e mais segurança.
Quantos episódios são esperados por ano
Comecemos com um dado que costuma tranquilizar: é considerado normal que crianças pequenas tenham entre seis e doze episódios de infecção respiratória por ano, principalmente nos primeiros anos e ainda mais quando frequentam ambientes coletivos. O sistema imunológico está aprendendo, e cada exposição contribui para esse repertório. Uma sequência de resfriados, portanto, não significa necessariamente que a imunidade da criança está baixa, sobretudo se ela se recupera bem entre os episódios, mantém o crescimento e o ganho de peso e não apresenta complicações graves.
Como evolui um resfriado comum
O resfriado comum é causado por vírus e costuma seguir um curso previsível: coriza clara que depois engrossa e muda de cor, espirros, tosse, nariz entupido, irritabilidade, redução do apetite e às vezes febre nos primeiros dias. A duração média é de sete a dez dias, com a tosse podendo se estender por mais tempo. Secreção amarelada ou esverdeada, ao contrário do que muita gente acredita, faz parte da evolução natural do quadro viral e não significa, por si só, infecção bacteriana nem necessidade de antibiótico.
O que fazer em casa
O cuidado em casa é essencialmente de suporte, porque não há medicação que cure um vírus respiratório. As medidas mais eficazes são simples: soro fisiológico nas narinas várias vezes ao dia, que fluidifica a secreção e alivia a obstrução, aspiração suave quando necessário, hidratação frequente com leite materno ou fórmula em bebês pequenos, ambiente arejado e cabeceira levemente elevada para o conforto. Antitérmicos podem ser usados conforme orientação médica, na dose adequada ao peso. Medicamentos para tosse e descongestionantes não são indicados para bebês.
Sinais que exigem atendimento
Existem sinais que exigem procurar atendimento, e vale tê-los memorizados. Febre em bebês menores de três meses é sempre motivo de avaliação imediata, independentemente do estado geral. Dificuldade para respirar, com respiração rápida, batimento das asas do nariz, afundamento entre as costelas ou abaixo delas, gemido a cada respiração, coloração azulada nos lábios, prostração importante, recusa alimentar significativa, redução do número de fraldas molhadas, choro fraco, febre que persiste por mais de três dias ou que retorna após melhora, e qualquer sensação forte de que algo está diferente do habitual justificam procurar o pediatra.
Bronquiolite, gripe e gastroenterite
Alguns quadros específicos merecem menção. A bronquiolite, comum em bebês nos primeiros dois anos, começa como um resfriado e evolui com tosse, chiado e dificuldade respiratória, exigindo atenção redobrada aos sinais de esforço para respirar. A gripe, causada pelo vírus influenza, costuma vir com febre mais alta e mais abrupta e prostração maior do que o resfriado comum. Gastroenterites virais provocam vômito e diarreia, e nesses casos o ponto crítico é a hidratação, com atenção a sinais de desidratação como boca seca, ausência de lágrimas, olhos fundos e diminuição do xixi.
O que realmente previne
A prevenção tem impacto real. Lavagem frequente das mãos de todos que cuidam do bebê, evitar contato com pessoas doentes, evitar aglomerações nos primeiros meses, não permitir beijos no rosto de visitantes, manter o ambiente arejado e não expor a criança a fumaça de cigarro reduzem bastante a frequência de episódios. As vacinas, incluindo a da gripe a partir dos seis meses, e a atualização do calendário vacinal dos adultos que convivem com o bebê, são medidas de proteção importantes. A amamentação também contribui para a proteção.
Cuide de si nesses períodos
Por fim, cuide de si durante esses períodos. Noites mal dormidas com um bebê congestionado desgastam qualquer pessoa, e é comum sentir culpa quando a criança adoece, principalmente após a entrada na creche. Adoecer faz parte do processo de crescer, não é sinal de falha de cuidado. Com observação atenta, medidas simples de suporte e o pediatra ao alcance quando necessário, a maioria desses episódios se resolve em casa, e cada um deles deixa o sistema imunológico da criança um pouco mais preparado para o próximo.
Sobre quem escreve
Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.
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