Mãe amamentando o bebê em uma poltronaAmamentação

Relactação e amamentação após dificuldades: caminhos possíveis

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. Por que a relactação é possível
  2. Estímulo frequente e contato pele a pele
  3. A sonda de relactação
  4. Quando o bebê já se acostumou à mamadeira
  5. Por que o acompanhamento profissional é decisivo
  6. Amamentação mista também é resultado
  7. A dimensão emocional
  8. A porta não está fechada

Muitas mulheres passam pela experiência de interromper a amamentação sem que essa tenha sido a escolha desejada. Uma internação, uma separação do bebê nos primeiros dias, dores intensas, dificuldades de pega, orientações contraditórias, uma queda na produção ou o cansaço puro e simples levam ao desmame antes do momento planejado. O que nem sempre se conta é que, em muitos casos, existe caminho de volta. A relactação é justamente isso: o processo de retomar a amamentação depois de uma interrupção.

Por que a relactação é possível

Relactar é possível porque a produção de leite funciona por estímulo e demanda. Quanto mais a mama é estimulada, seja pela sucção do bebê, seja pela ordenha, mais o corpo entende que precisa produzir. Esse mecanismo não desaparece de um dia para o outro, e mesmo semanas após a interrupção é possível reativá-lo. Existem até casos de mulheres que nunca engravidaram, como mães adotivas, que conseguem produzir leite por meio de estímulo, o que mostra o quanto esse sistema é responsivo.

Estímulo frequente e contato pele a pele

O processo, no entanto, exige tempo, apoio e realismo. O primeiro pilar é o estímulo frequente. Isso significa colocar o bebê no peito com frequência, mesmo que ele receba complemento, e ordenhar entre as mamadas, com bomba ou manualmente, para aumentar o número de estímulos diários. Quanto mais frequente e mais eficaz o estímulo, mais rápida tende a ser a resposta. O segundo pilar é o contato pele a pele, que estimula os hormônios envolvidos na produção e ajuda o bebê a retomar o interesse pelo peito.

A sonda de relactação

Uma ferramenta muito usada nesse processo é a sonda de relactação, também chamada de translactação, um tubo fino conectado a um recipiente com leite, posicionado junto ao mamilo. Com ela, o bebê recebe o complemento enquanto suga o peito, o que garante que ele se alimente adequadamente e ao mesmo tempo estimula a produção materna. Esse recurso precisa de orientação profissional para ser usado corretamente, tanto na montagem quanto no acompanhamento do ganho de peso do bebê.

Quando o bebê já se acostumou à mamadeira

Há também o desafio do bebê que já se acostumou à mamadeira. A sucção no peito é diferente e exige mais esforço, e um bebê habituado ao fluxo fácil da mamadeira pode recusar o peito, chorar e se irritar. Nesses casos, estratégias como oferecer o peito quando ele está sonolento e calmo, e não faminto e agitado, usar métodos alternativos de complementação, como copinho ou colher, e reduzir gradualmente o uso do bico costumam ajudar. Paciência é indispensável, porque a transição raramente acontece em um ou dois dias.

Por que o acompanhamento profissional é decisivo

O acompanhamento profissional é o ponto que mais aumenta as chances de sucesso. Consultores em amamentação, bancos de leite humano, grupos de apoio à amamentação e serviços de saúde com profissionais capacitados podem avaliar a pega, identificar barreiras físicas como freio de língua, orientar sobre a redução do complemento e, principalmente, monitorar se o bebê está ganhando peso adequadamente durante a transição. Esse monitoramento não é opcional: a segurança nutricional do bebê vem em primeiro lugar, e a redução do complemento deve ser gradual e orientada.

Amamentação mista também é resultado

É importante dizer com clareza que a relactação nem sempre resulta em amamentação exclusiva, e isso não é fracasso. Muitas mulheres chegam a uma amamentação mista, em que o bebê recebe peito e complemento, e isso é um resultado legítimo e valioso. Amamentar não é uma questão de tudo ou nada, e qualquer quantidade de leite materno traz benefícios. Definir uma expectativa realista desde o começo ajuda a evitar frustração.

A dimensão emocional

Vale também considerar a dimensão emocional, que costuma ser intensa. Muitas mulheres carregam culpa e luto pela amamentação que não aconteceu como imaginavam, e a tentativa de relactação pode reativar esses sentimentos. Ter apoio emocional durante o processo é tão importante quanto ter apoio técnico. E é fundamental lembrar que interromper a tentativa em algum momento também é uma decisão válida, tomada por uma mãe que conhece os próprios limites e a própria realidade.

A porta não está fechada

No fim, o que importa é que a porta não está fechada. Se você deseja tentar retomar a amamentação, procure ajuda qualificada, estabeleça expectativas realistas e siga um passo de cada vez. Muitas mulheres conseguem, e mesmo as que chegam a resultados parciais costumam descrever a experiência como um reencontro que valeu o esforço.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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