Mãe com o recém-nascido no colo em casaMaternidade Real

Primeiro dia de creche: quem chorou fui eu

Por Tiemi — consultora de enxoval · 3 min de leitura

Neste post
  1. O choro que ninguém avisou
  2. O que passa pela cabeça
  3. Se ele chorou e se ele não chorou
  4. A culpa de voltar ao trabalho, ou de não voltar
  5. Pequenas coisas que ajudam a mãe
  6. O reencontro
  7. Daqui a um mês
  8. A parte prática fica com a gente

Você passou semanas se preparando para o choro dele. Leu sobre adaptação, separou a mochila, etiquetou as roupinhas, ensaiou a despedida. No grande dia, ele entrou na sala, viu os brinquedos e nem olhou para trás.

Quem chorou foi você. No carro, com a mão no volante, sem entender direito por quê.

O choro que ninguém avisou

Fala-se muito da adaptação da criança e quase nada da adaptação da mãe. Mas ela existe, e costuma pegar de surpresa.

Depois de meses em que você sabia tudo o que acontecia com o seu filho, a que horas comeu, quanto dormiu, por que chorou, de repente há um período do dia em que você não sabe. Alguém vai trocar a fralda dele. Alguém vai consolar se ele cair. E esse alguém não é você.

É a primeira separação de verdade, e o corpo sente.

O que passa pela cabeça

Os pensamentos desse dia se repetem de mãe para mãe.

- "E se ele achar que eu abandonei?" - "E se ninguém entender o jeito dele?" - "Ele é muito pequeno." - "Ele nem ligou. Será que não sentiu a minha falta?" - "Eu deveria estar aliviada. Por que estou triste?"

Repare que cabem na mesma lista o medo de ele sofrer e a mágoa de ele não ter sofrido. Mãe é assim.

Se ele chorou e se ele não chorou

Quando a criança chora na porta, a mãe vai embora com o coração na mão. Quando não chora, vai embora com uma pontinha de ciúme. Nenhuma das duas reações diz nada sobre o tamanho do vínculo.

Criança que entra tranquila não ama menos. Muitas vezes é justamente a segurança que ela tem em você que permite explorar um lugar novo. E a que chora está dizendo, do jeito que sabe, que prefere a sua companhia, o que também é um elogio.

A culpa de voltar ao trabalho, ou de não voltar

Parte do aperto vem daí. Quem volta a trabalhar se pergunta se está deixando o filho cedo demais. Quem coloca na creche sem estar trabalhando se pergunta se tem esse direito.

As duas situações são legítimas. Precisar de tempo para trabalhar, para descansar ou para existir como adulta não é falha de ninguém.

Pequenas coisas que ajudam a mãe

- Não marque nada importante para a primeira manhã. Deixe espaço para sentir. - Combine um café com alguém logo depois da entrega. - Peça para a escola mandar uma foto ou um recado no meio do período, se for possível. - Faça da despedida um ritual curto e sempre igual: beijo, frase, tchau. - Evite ficar na porta espiando. É difícil, mas costuma ser pior para os dois. - Conte para outra mãe. Quase todas choraram também.

O reencontro

A melhor parte do dia é a saída. O rostinho procurando você entre os adultos, o sorriso, a corrida. Em poucos dias vocês dois aprendem a regra mais importante dessa fase: a mamãe vai e a mamãe volta.

Ele aprende que o mundo é maior do que a casa. Você aprende que ele consegue, e que você também.

Daqui a um mês

Em algumas semanas, a mochila vai ser arrumada no automático e a despedida vai levar dez segundos. Um dia ele vai contar, do jeito dele, alguma coisa que aconteceu lá, e você vai perceber que ele tem uma vida que é só dele.

Dá orgulho e dá saudade. É assim mesmo.

A parte prática fica com a gente

Enquanto você cuida do coração, a Tiemi ajuda com a mochila. Creche costuma pedir várias mudas de roupa, peças fáceis de vestir e tudo identificado. Venha até a loja, na Rua Maylaski, 28, no Centro de Sorocaba, ou mande a lista da escola pelo WhatsApp (15) 99158-7772 que a gente separa as peças. Em Sorocaba, entregamos por motoboy.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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