Parto e Pós-partoO que ninguém conta sobre os primeiros 15 dias em casa
Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura
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A saída da maternidade tem uma imagem consolidada: a família chega em casa, o bebê dorme no berço enfeitado, e começa uma fase de encantamento. A realidade dos primeiros quinze dias costuma ser bem diferente, e o silêncio em torno disso faz muitas mulheres se sentirem sozinhas e inadequadas em um momento em que estão apenas atravessando algo profundamente normal.
A intensidade da rotina
A primeira coisa que surpreende é a intensidade da rotina. Um recém-nascido mama de oito a doze vezes por dia, às vezes mais, com intervalos que não seguem relógio. Como cada mamada pode durar de vinte a quarenta minutos, e como é preciso trocar fralda, arrotar e às vezes acalmar antes e depois, a sensação real é de que o dia inteiro é uma mamada só, com pequenas pausas. Isso não é sinal de que o leite é fraco ou de que algo está errado. É assim que funciona o começo.
O sono em pedaços
A segunda é o sono, ou a ausência dele. Não é apenas dormir pouco: é dormir em pedaços, várias vezes, sem nunca completar um ciclo profundo. Esse tipo de privação afeta memória, humor, paciência e a capacidade de tomar decisões simples. Muita mãe se assusta com a própria irritabilidade e conclui que tem algo errado com ela, quando na verdade está apenas em privação de sono aguda, um estado que afetaria qualquer pessoa.
O corpo depois do parto
A terceira é o corpo. Independentemente do tipo de parto, o pós-parto imediato envolve sangramento intenso nos primeiros dias, cólicas quando o útero contrai, seios doloridos quando o leite desce, possível dor no períneo ou na cicatriz da cesárea, suores noturnos, queda hormonal abrupta e um abdômen que ainda parece de gestante. Ninguém sai da maternidade com o corpo de antes, e ver isso no espelho pode ser um choque se ninguém tiver avisado.
O turbilhão emocional
A quarta é o turbilhão emocional. Por volta do terceiro ao quinto dia, muitas mulheres experimentam o chamado baby blues: choro sem motivo aparente, sensibilidade extrema, sensação de estar sobrecarregada, alternando com momentos de amor intenso. Isso acontece com a maioria das mulheres e tende a melhorar em duas semanas. Se os sintomas persistirem, se intensificarem, se houver desesperança, incapacidade de cuidar de si ou do bebê, ou pensamentos assustadores, é hora de buscar ajuda profissional, porque a depressão pós-parto é comum, tratável e não tem nada a ver com falta de amor pelo filho.
A amamentação nos primeiros dias
A quinta é a amamentação. A ideia de que é natural e portanto fácil causa muito sofrimento. Nos primeiros dias, é comum haver dor, dúvida sobre a pega, insegurança sobre a quantidade de leite, fissuras e o ingurgitamento quando a produção aumenta. A maioria dessas dificuldades tem solução com apoio adequado, e procurar um consultor em amamentação ou um banco de leite cedo, em vez de esperar piorar, muda completamente o desfecho.
A avalanche de opiniões
A sexta é a avalanche de opiniões. Visitas, familiares e conhecidos chegam com conselhos contraditórios, comentários sobre o corpo, sobre o choro do bebê e sobre o que você deveria estar fazendo. É legítimo limitar visitas, definir horários, pedir que ninguém pegue o bebê sem lavar as mãos e recusar sugestões. Nas primeiras semanas, proteger o descanso e o vínculo importa mais do que agradar quem quer conhecer o bebê.
O que ajuda de verdade
O que ajuda de verdade nesse período é bem prático. Ter comida pronta em casa. Aceitar ajuda com tarefas domésticas, e não com o bebê. Dormir quando der, mesmo de dia. Ter água e lanches ao alcance da mão nos lugares onde você amamenta. Reduzir expectativas sobre a casa arrumada. Deixar o celular de lado durante as mamadas noturnas, porque a luz atrapalha o retorno ao sono. E dividir claramente as tarefas com o parceiro ou com quem estiver por perto, nomeando o que precisa ser feito em vez de esperar que alguém perceba.
Essa fase passa
Por fim, vale saber que essa fase passa, e passa relativamente rápido. Por volta da terceira ou quarta semana, a amamentação costuma se estabelecer, o corpo começa a se recuperar e a rotina ganha algum contorno. Não é preciso aproveitar cada segundo nem sentir gratidão o tempo todo. Basta atravessar. E atravessar bem inclui pedir ajuda sem culpa e lembrar que estar exausta não faz de você uma mãe pior.
Sobre quem escreve
Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.
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