Mãe com o recém-nascido na maternidadeParto e Pós-parto

Acompanhante no parto: escolhendo e preparando quem vai estar com você

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. Quem escolher como acompanhante
  2. Doula e apoio adicional
  3. Por que preparar essa pessoa
  4. Como se preparar juntos
  5. Tarefas práticas do acompanhante
  6. O que não é papel dele
  7. O acompanhante também cansa
  8. Combine o pós-parto imediato

A presença de um acompanhante durante o trabalho de parto, o parto e o pós-parto imediato é um direito garantido por lei no Brasil, e não um favor concedido pela instituição. A Lei do Acompanhante assegura que toda gestante possa ter uma pessoa de sua escolha ao lado durante toda a internação, tanto na rede pública quanto na privada. Mais do que um direito, essa presença tem efeito prático comprovado: mulheres acompanhadas relatam menos dor, precisam de menos intervenções e avaliam a experiência de forma mais positiva.

Quem escolher como acompanhante

A primeira decisão é quem será essa pessoa, e ela merece mais reflexão do que costuma receber. A escolha automática recai sobre o parceiro ou parceira, o que faz sentido em muitos casos, mas não em todos. O critério mais importante não é o grau de parentesco, e sim a capacidade daquela pessoa de permanecer calma, de sustentar o ambiente e de defender as suas decisões em um momento em que você estará totalmente concentrada em outra coisa. Alguém que se desespera com sangue, que tende a discutir com profissionais ou que precisa ser cuidado durante o processo pode não ser a melhor escolha, por mais que ame você.

Doula e apoio adicional

Vale considerar também a possibilidade de ter mais de uma figura de apoio, quando a instituição permite, ou de contratar uma doula. A doula é uma profissional de apoio não clínico, que oferece suporte físico e emocional contínuo durante o trabalho de parto, com técnicas de alívio de dor, posicionamento e respiração. Em muitos serviços, a doula é considerada acompanhante adicional e não substitui o direito legal à pessoa de sua escolha, mas isso varia, e vale confirmar as regras do local com antecedência.

Por que preparar essa pessoa

Depois de escolher, vem a parte que faz a diferença: preparar essa pessoa. Um acompanhante despreparado, mesmo bem-intencionado, tende a ficar paralisado, a mexer no celular ou a repetir frases que não ajudam. Um acompanhante preparado sabe o que está acontecendo em cada fase, reconhece o que é esperado e o que merece atenção, conhece as suas preferências e consegue lembrar delas por você.

Como se preparar juntos

A preparação pode incluir participar das consultas de pré-natal, fazer um curso de preparação para o parto junto, ler o plano de parto e conversar sobre cada item, e saber com clareza o que você quer e o que quer evitar. Vale combinar com antecedência coisas concretas: como você prefere ser tocada durante as contrações, se quer música ou silêncio, se quer luz baixa, quem deve ser avisado e quando, se e quando fotos podem ser tiradas, e o que fazer se surgir a necessidade de uma decisão que você não previu.

Tarefas práticas do acompanhante

Também é útil definir tarefas práticas. Levar a mala, conferir a documentação, controlar o tempo entre contrações, oferecer água, ajudar a mudar de posição, fazer massagem lombar, aplicar compressa morna, cuidar do telefone e filtrar mensagens de familiares ansiosos. Essas tarefas dão ao acompanhante um papel claro e evitam a sensação de inutilidade, que é o que mais gera desconforto nessas horas.

O que não é papel dele

Um ponto delicado merece nomeação: o acompanhante não é responsável por tomar decisões clínicas nem por confrontar a equipe. O papel dele é lembrar suas preferências, pedir explicações quando algo não foi esclarecido e garantir que você seja consultada. Perguntas simples como qual é o motivo dessa intervenção, quais são as alternativas e há tempo para pensarmos abrem espaço para uma decisão informada sem criar conflito.

O acompanhante também cansa

Prepare também o próprio acompanhante para o cansaço. Trabalhos de parto podem durar muitas horas, às vezes um dia inteiro. Ele precisa comer, beber água, ir ao banheiro e, se possível, descansar em algum momento. Um acompanhante exausto e faminto não consegue apoiar ninguém. Levar lanches, garrafa de água, carregador de celular, uma muda de roupa e um agasalho para o ar-condicionado é planejamento básico.

Combine o pós-parto imediato

Por fim, converse antes sobre o pós-parto imediato. As primeiras horas depois do nascimento envolvem amamentação, exames do bebê, procedimentos na mãe e uma enxurrada de emoções. Ter alguém que acompanhe o bebê quando ele sair do quarto, que ajude com a primeira mamada, que segure a onda das visitas e que perceba quando você precisa de silêncio pode transformar completamente a memória que você vai guardar desse dia.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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