Saúde do BebêIcterícia neonatal: por que o bebê fica amarelado
Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura
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Poucas coisas assustam mais nas primeiras semanas do que perceber que o bebê está com a pele e os olhos amarelados. A icterícia neonatal é, no entanto, uma das condições mais comuns do período, afetando uma grande proporção dos recém-nascidos, especialmente os prematuros. Na maioria dos casos ela é fisiológica, se resolve sozinha e não deixa consequência alguma. Entender o mecanismo ajuda a diferenciar o esperado do que precisa de atenção.
Por que a bilirrubina se acumula
A causa é o acúmulo de bilirrubina, um pigmento amarelado produzido pela degradação natural das hemácias. O recém-nascido nasce com uma quantidade grande de hemácias, que começam a ser substituídas após o nascimento, gerando bilirrubina em volume elevado. Ao mesmo tempo, o fígado do bebê ainda é imaturo e processa essa substância mais lentamente. O resultado é um acúmulo temporário que se deposita na pele e nas escleras, produzindo a coloração amarelada característica.
Como evolui a icterícia fisiológica
A icterícia fisiológica costuma aparecer a partir do segundo ou terceiro dia de vida, atinge o pico por volta do terceiro ao quinto dia e regride gradualmente ao longo da primeira ou segunda semana. Ela progride no corpo em um padrão previsível, começando pelo rosto e descendo pelo tronco, pelo abdômen e, nos casos mais intensos, alcançando as pernas e os pés. Essa progressão é usada como referência clínica pelos profissionais, embora a avaliação visual seja imprecisa e a medida objetiva, por sangue ou por aparelho transcutâneo, seja o que define a conduta.
Quando a icterícia preocupa
Existem situações que merecem atenção especial e avaliação rápida. Icterícia que aparece nas primeiras vinte e quatro horas de vida nunca é considerada fisiológica e exige investigação imediata. Icterícia muito intensa, que alcança as pernas e os pés, também. Icterícia que persiste além de duas semanas em bebês a termo, que surge tardiamente, ou que vem acompanhada de fezes esbranquiçadas ou muito claras e urina escura merece avaliação, porque pode indicar uma causa diferente, relacionada às vias biliares, que precisa de diagnóstico precoce.
Outras causas possíveis
Entre as causas não fisiológicas mais comuns estão a incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê, infecções, alterações hematológicas e a icterícia associada à baixa ingestão de leite nos primeiros dias, quando a amamentação ainda não se estabeleceu bem e o bebê elimina menos bilirrubina pelas fezes. Existe também a chamada icterícia do leite materno, que aparece mais tarde, é prolongada e benigna, e não é motivo para interromper a amamentação.
A fototerapia
O tratamento mais utilizado é a fototerapia, popularmente conhecida como banho de luz. O bebê é colocado sob uma luz de comprimento de onda específico, geralmente azul, que transforma a bilirrubina em uma forma que o organismo consegue eliminar mais facilmente. Durante a sessão, o bebê fica com pouca roupa, para maximizar a área exposta, e com proteção nos olhos. É um tratamento seguro, indolor e eficaz, indicado conforme níveis definidos por protocolos que consideram idade, peso e fatores de risco. Em casos raros e graves, existem outras condutas, definidas pela equipe.
Por que o sol da janela não serve
Um ponto prático importante: a exposição ao sol da janela, prática ainda recomendada por muitas famílias e por gerações anteriores, não é indicada como tratamento. Além de ineficaz nos níveis necessários, expõe o bebê a risco de queimadura e de variação de temperatura. Se houver preocupação com a coloração do bebê, o caminho é a avaliação profissional, e não o sol.
O que a família pode fazer
O que a família pode fazer é garantir a alimentação frequente. Mamadas eficazes e frequentes, oito a doze vezes ao dia ou mais, favorecem a eliminação de bilirrubina pelas fezes e ajudam na resolução. Observar o número de fraldas molhadas e a evolução das fezes, que passam do mecônio escuro para as fezes amareladas ao longo dos primeiros dias, é um bom indicador de que a alimentação está adequada.
A consulta da primeira semana
Por fim, vale reforçar que a avaliação nos primeiros dias após a alta da maternidade é importante justamente por causa disso. A consulta de puericultura na primeira semana de vida permite verificar peso, alimentação e nível de icterícia no momento em que ela costuma atingir o pico. Se você notar que o bebê está mais amarelado, mais sonolento, mamando pouco ou com menos fraldas molhadas, não espere a consulta agendada: procure atendimento.
Sobre quem escreve
Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.
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