Mãe com bebê no colo ao lado de roupinhas em uma araraRoupas de Bebê

Higienização de roupas quando alguém da casa está doente

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. O papel real da roupa na transmissão
  2. Quando o cuidado extra se justifica
  3. Que temperatura de água usar
  4. Sanitizantes sem cloro
  5. Quando separar as roupas
  6. A secagem é uma aliada
  7. Não esqueça das superfícies
  8. Mantenha a proporção

Basta alguém da casa ficar gripado para surgir a mesma dúvida: preciso lavar a roupa do bebê separadamente? Devo usar água quente? É hora de recorrer a desinfetantes? Quando o assunto é um recém-nascido, cuja imunidade ainda está em construção, essas perguntas ganham peso extra. A resposta envolve alguns cuidados reais, mas também descarta várias práticas comuns que só desgastam o tecido sem trazer benefício.

O papel real da roupa na transmissão

Primeiro, é importante situar o papel da roupa na transmissão de doenças. A maior parte dos vírus respiratórios se transmite por gotículas no ar e pelo contato das mãos com superfícies e com o rosto, não pela roupa lavada. Ou seja, lavar as mãos com frequência, evitar tossir perto do bebê e usar máscara quando doente protegem muito mais do que qualquer protocolo de lavanderia. Dito isso, tecidos podem abrigar micro-organismos por algumas horas, e em algumas situações específicas o cuidado extra se justifica.

Quando o cuidado extra se justifica

As situações que realmente pedem atenção redobrada são aquelas que envolvem contato com fluidos corporais: vômito, diarreia, secreções em quantidade, feridas ou infecções de pele. Nesses casos, a roupa contaminada deve ser manuseada com cuidado, sem ser sacudida, colocada diretamente em um saco ou cesto separado, e lavada assim que possível. Lave as mãos depois de manusear e antes de tocar em qualquer coisa do bebê.

Que temperatura de água usar

Sobre a temperatura, aqui vale um esclarecimento. Água quente acima de sessenta graus reduz de forma significativa a carga microbiana, mas a maior parte das roupas de bebê não suporta essa temperatura sem encolher e sem perder a maciez. Para o dia a dia, mesmo com alguém doente em casa, água morna com sabão adequado e enxágue completo é suficiente, porque o próprio processo mecânico de lavagem, com detergente e água corrente, remove e dilui a maior parte dos micro-organismos. Reserve a água quente para peças resistentes, como toalhas, fronhas e lençóis do adulto doente, e apenas quando a etiqueta permitir.

Sanitizantes sem cloro

Se você quiser um passo adicional, existem sanitizantes de tecido à base de peróxido de hidrogênio ou percarbonato de sódio, que agem sem cloro e são mais compatíveis com roupas coloridas e delicadas. Eles funcionam melhor em água morna e devem ser bem enxaguados. Evite desinfetantes de superfície e água sanitária pura em roupa de bebê: além de danificarem as fibras, deixam resíduos que podem irritar a pele. Amaciantes e sanitizantes muito perfumados também não são boa ideia, pelo mesmo motivo.

Quando separar as roupas

A separação faz sentido, mas de forma pragmática. Quando alguém está com uma infecção gastrointestinal ou com lesões de pele, lave as roupas dessa pessoa separadamente das roupas do bebê. Em uma gripe comum, não é necessário separar, desde que a lavagem seja feita normalmente e a secagem seja completa. Cestos separados para roupa suja do bebê e do restante da família são uma boa prática permanente, mais pela organização do que pela microbiologia.

A secagem é uma aliada

A secagem é uma aliada subestimada. Calor e luz solar reduzem a sobrevivência de micro-organismos nos tecidos, então secar bem, de preferência ao sol, agrega mais do que muitos produtos. Roupa guardada com umidade residual é o oposto disso: favorece a proliferação de fungos e bactérias.

Não esqueça das superfícies

Não esqueça das superfícies que acompanham a roupa. O cesto de roupa suja, a máquina de lavar, o trocador, a capa do carrinho e o tapete de brincar merecem limpeza mais frequente durante o período de doença na casa. Também vale higienizar as mãos antes de dobrar e guardar roupa limpa do bebê, para não recontaminar o que acabou de sair da máquina.

Mantenha a proporção

Por fim, mantenha a perspectiva. Um resfriado circulando pela casa não exige um protocolo hospitalar de lavanderia. O que realmente reduz o risco de o bebê adoecer é higiene das mãos, ambiente arejado, evitar visitas quando alguém está doente e manter as vacinas em dia, inclusive as dos adultos que convivem com a criança. A roupa entra nessa equação como um cuidado complementar, importante quando há fluidos envolvidos e secundário no resto do tempo. Lavar bem, enxaguar bem e secar completamente já cobre quase tudo.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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