Mãe amamentando o bebê em uma poltronaAmamentação

Freio de língua e dificuldades de pega: quando investigar

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. A pega inadequada é a causa mais comum
  2. O que é a anquiloglossia
  3. Sinais que levantam suspeita
  4. Nem todo freio causa problema
  5. Como é a frenotomia
  6. Cuidado com o excesso de indicação
  7. Outras causas a considerar
  8. Dor persistente não é normal

Amamentar dói nos primeiros dias, mas não deveria doer sempre. Essa é uma das frases mais úteis que uma mulher pode ouvir no início da amamentação. Um desconforto inicial, enquanto o mamilo se adapta, é comum. Dor intensa, fissuras que não cicatrizam, mamadas intermináveis e bebê que não ganha peso são sinais de que algo não está funcionando, e merecem investigação em vez de resignação.

A pega inadequada é a causa mais comum

A causa mais frequente de dificuldade é a pega inadequada, e ela costuma ter solução com ajuste de posição e técnica. Uma pega eficaz envolve o bebê abocanhando não apenas o mamilo, mas boa parte da aréola, com a boca bem aberta, o lábio inferior evertido, o queixo tocando o seio e o nariz livre. O corpo do bebê deve estar alinhado, barriga com barriga, e bem apoiado. Pequenas correções nesses pontos resolvem uma quantidade enorme de casos, e é por isso que a primeira recomendação diante de dor é sempre uma avaliação da mamada por alguém capacitado.

O que é a anquiloglossia

Quando os ajustes de pega não resolvem, entra a investigação de causas anatômicas, e a mais discutida é a anquiloglossia, popularmente conhecida como freio de língua curto ou preso. Trata-se de uma alteração congênita em que o frênulo lingual, a membrana que liga a língua ao assoalho da boca, restringe o movimento da língua. Como a amamentação depende da capacidade da língua de se elevar, se estender e formar uma canaleta ao redor do seio, essa restrição pode comprometer a sucção.

Sinais que levantam suspeita

Os sinais que costumam levantar suspeita incluem dor persistente durante a mamada mesmo com posicionamento correto, mamilos que saem achatados ou com formato de batom após a mamada, fissuras recorrentes, estalos audíveis durante a sucção, mamadas muito longas e frequentes com bebê que parece nunca saciar, baixo ganho de peso, cansaço excessivo do bebê ao mamar e, do lado materno, ingurgitamentos e mastites de repetição por esvaziamento inadequado.

Nem todo freio causa problema

É importante entender que nem todo freio de língua causa problema. Muitos bebês com frênulo alterado mamam perfeitamente bem, e nesses casos não há indicação de intervenção. O critério não é a aparência isolada do freio, e sim a combinação entre a avaliação anatômica e a função, ou seja, se aquela alteração está de fato prejudicando a amamentação. Por isso, a avaliação deve ser feita por profissional capacitado, com protocolo específico, geralmente fonoaudiólogo, odontopediatra ou pediatra com formação na área. No Brasil, existe legislação que prevê a realização do teste da linguinha em recém-nascidos nas maternidades.

Como é a frenotomia

Quando a intervenção é indicada, o procedimento é chamado de frenotomia, e consiste em um pequeno corte no frênulo. É rápido, feito em consultório na maioria dos casos, com sangramento mínimo, e o bebê costuma ser colocado no peito logo em seguida. A melhora pode ser imediata em alguns casos e gradual em outros, muitas vezes exigindo acompanhamento com exercícios orientados, porque o bebê precisa aprender um novo padrão de movimento. É por isso que o seguimento com fonoaudiologia costuma fazer parte do processo.

Cuidado com o excesso de indicação

Vale um alerta sobre o excesso na direção oposta. Nos últimos anos, houve aumento significativo de diagnósticos e procedimentos, e existe debate profissional sobre indicações feitas sem avaliação funcional adequada. Um procedimento realizado sem indicação clara não resolve o problema, expõe o bebê desnecessariamente e pode atrasar a identificação da verdadeira causa. Por isso, buscar avaliação criteriosa, e não apenas uma opinião rápida, é o caminho.

Outras causas a considerar

Existem outras causas de dificuldade que merecem ser consideradas antes ou junto com essa investigação: posicionamento inadequado, ingurgitamento que dificulta a pega, confusão de bicos, alterações de tônus muscular do bebê, prematuridade, dor materna por outras causas como candidíase mamilar, e conformações mamilares que exigem técnicas específicas. Uma avaliação completa costuma olhar para o conjunto.

Dor persistente não é normal

O recado principal é simples: dor persistente e bebê que não ganha peso não são normais e não devem ser encarados como parte inevitável do processo. Existem profissionais especializados, existem bancos de leite humano com atendimento, existem grupos de apoio. Procurar ajuda cedo, na primeira ou segunda semana, aumenta muito as chances de resolver e de manter a amamentação, e evita semanas de sofrimento desnecessário.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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