Roupas de BebêFaixa umbilical: tradição, mito e o que fazer com o coto
Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura
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Poucos temas do universo do enxoval geram tanto atrito entre gerações quanto a faixa umbilical, também chamada de umbigueira ou cinta de umbigo. Trata-se de uma faixa de tecido enrolada na barriga do recém-nascido, com a intenção de manter o coto no lugar, ajudar na cicatrização ou evitar que o umbigo fique saliente. É um item que aparece em muitos kits de maternidade e que praticamente toda avó recomenda. E é também um item que a pediatria atual desaconselha.
De onde vem a crença
A crença por trás da prática é a de que a pressão da faixa evitaria a formação da hérnia umbilical, aquela protuberância que aparece na região do umbigo em alguns bebês. A ideia parece lógica, mas não corresponde ao que se sabe hoje. A hérnia umbilical ocorre porque a musculatura da parede abdominal ainda não se fechou completamente na região por onde passava o cordão, e esse fechamento acontece naturalmente com o crescimento, na grande maioria dos casos até os quatro ou cinco anos de idade. Nenhuma faixa externa acelera esse processo, porque a questão é de desenvolvimento muscular interno, e não de posição.
Por que a faixa traz risco
Além de não funcionar, a faixa traz riscos concretos. O primeiro é a compressão. Uma faixa apertada restringe a expansão do abdômen, o que interfere na respiração do recém-nascido, que é predominantemente diafragmática. O segundo é o abafamento do coto. A recomendação atual para o cuidado com o coto umbilical é justamente mantê-lo seco e arejado, e uma faixa cria um ambiente úmido e fechado, o que favorece a proliferação de bactérias e aumenta o risco de infecção. O terceiro é a dificuldade de observação: cobrir a região impede que se percebam sinais precoces de problema.
O cuidado correto com o coto
Então, o que fazer com o coto? A orientação atual é simples e envolve pouca intervenção. O coto deve ser mantido limpo e seco, e a higiene é feita conforme orientação do serviço de saúde, geralmente com álcool setenta por cento aplicado na base, algumas vezes ao dia e sempre após o banho e as trocas de fralda, embora alguns protocolos adotem apenas água e sabão com secagem cuidadosa. Vale seguir a orientação do serviço que acompanha o seu bebê.
A posição da fralda
Um cuidado prático importante é a posição da fralda. Dobre a parte da frente da fralda para baixo, deixando o coto exposto ao ar e fora do contato com urina e fezes. Muitas fraldas de tamanho recém-nascido já vêm com um recorte próprio para isso. A roupa deve ser leve na região, permitindo circulação de ar; bodies folgados funcionam bem.
Quando o coto cai
O coto costuma secar, escurecer e cair sozinho entre cinco e quinze dias, embora possa demorar um pouco mais. Ele não deve ser puxado, cortado nem manipulado além da higiene. Pequeno sangramento no momento da queda e uma secreção mínima na base são esperados. O que não é esperado, e exige avaliação médica imediata, é vermelhidão que se espalha pela pele ao redor, inchaço, secreção purulenta, odor forte e desagradável, sangramento persistente, febre ou irritabilidade importante. Esses são sinais de possível infecção, chamada de onfalite, que é uma condição séria e precisa de tratamento rápido.
Sobre a hérnia umbilical
Sobre a hérnia umbilical, quando ela existe, a conduta habitual é observar. Ela costuma aumentar quando o bebê chora ou faz força e diminuir quando ele relaxa, e na maioria dos casos se resolve espontaneamente. Colocar moedas, botões, esparadrapo, fita ou qualquer objeto sobre a hérnia, práticas ainda comuns em algumas famílias, não ajuda no fechamento e pode causar lesão de pele e infecção. A avaliação médica define os casos que precisam de acompanhamento cirúrgico, que são a minoria e costumam envolver hérnias grandes ou que persistem além da idade esperada.
Como conversar com a família
Se a faixa umbilical veio no seu kit de maternidade ou foi presente de alguém querido, não há problema em guardá-la como lembrança. E, se houver pressão familiar para usá-la, vale explicar com calma que a recomendação mudou, que a intenção por trás da tradição era boa e que hoje se sabe que manter o coto seco e arejado é o que melhor protege o bebê. Costuma ser uma conversa mais tranquila quando fica claro que ninguém está sendo criticado, apenas atualizado.
Sobre quem escreve
Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.
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