Mãe com bebê no colo ao lado de roupinhas em uma araraRoupas de Bebê

Como calcular o custo real do enxoval de roupas por mês de uso

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. Como fazer a conta do custo por uso
  2. Por que o tamanho RN é o mais caro
  3. Quantas peças ter em circulação
  4. O valor de revenda e de repasse
  5. O custo escondido da manutenção
  6. Como dividir o orçamento
  7. A lista do chá de bebê muda a conta

Quando olhamos para o preço de uma roupa de bebê, olhamos para o número da etiqueta. Mas o número que realmente importa é outro: quanto aquela peça custa por mês de uso efetivo. Essa mudança de perspectiva explica por que um body de sessenta reais pode ser mais barato do que um de vinte, e por que aquele conjunto lindo de saída da maternidade pode ser o item mais caro do enxoval inteiro, mesmo custando pouco.

Como fazer a conta do custo por uso

O cálculo é simples. Divida o preço da peça pelo número de meses em que ela realmente vai ser usada, e depois pelo número aproximado de vezes que ela será vestida nesse período. Um body tamanho P, comprado por quarenta reais, usado por três meses, em média três vezes por semana, chega a algo em torno de trinta e seis usos, o que dá pouco mais de um real por uso. Já um vestido de festa de cento e vinte reais, usado duas vezes na vida, custa sessenta reais por uso. Não significa que o vestido não valha a pena, significa apenas que o critério de decisão é outro: ele está sendo comprado por afeto e por registro, não por eficiência.

Por que o tamanho RN é o mais caro

A parte mais reveladora desse exercício aparece nos tamanhos. O tamanho RN dura, em média, de duas a quatro semanas, e alguns bebês nem chegam a usá-lo. Isso significa que qualquer peça comprada nesse tamanho tem, no máximo, um mês de vida útil, e é por isso que se recomenda comprar poucas unidades, e das mais simples e baratas. Já os tamanhos P e M costumam durar de dois a três meses cada um, e o G ainda mais, o que justifica investir melhor nessas faixas. Quanto maior o tamanho, maior a durabilidade e mais faz sentido pagar por qualidade.

Quantas peças ter em circulação

O custo por uso também muda conforme a rotatividade. Se você tem seis bodies no tamanho P, cada um é usado com mais frequência do que se você tiver quinze. Ter poucas peças aumenta o desgaste de cada uma, mas reduz o custo total e o acúmulo. Ter muitas peças distribui o desgaste, mas aumenta a chance de algumas nunca serem usadas antes de o bebê crescer. O ponto de equilíbrio, para a maioria das famílias, fica entre seis e oito peças básicas por tamanho, ajustado pela frequência de lavagem em casa.

O valor de revenda e de repasse

Existe ainda um valor que raramente entra na conta e que muda muito o resultado: o valor de revenda ou de repasse. Uma peça de boa qualidade, que atravessa um filho inteiro sem desbotar, sem esgarçar e sem perder a forma, pode ser repassada para outra família, vendida em bazar ou guardada para um próximo filho. Nesse caso, o custo real cai pela metade ou mais. Peças muito baratas, que saem da segunda lavagem com o tecido puído, têm custo por uso alto justamente porque não sobrevivem para uma segunda vida.

O custo escondido da manutenção

Vale considerar também o custo indireto de manutenção. Uma peça que precisa de lavagem à mão, que não pode ir à secadora, que exige cuidado especial ou que mancha com facilidade consome tempo, e tempo com um recém-nascido em casa é um recurso escasso. Uma roupa prática, resistente e fácil de lavar tem um valor que não aparece na etiqueta.

Como dividir o orçamento

Como aplicar isso na prática? Uma regra útil é dividir o orçamento em três partes. A maior fatia vai para as peças básicas de uso diário nos tamanhos P, M e G, onde qualidade se paga. Uma fatia menor vai para o tamanho RN, com peças simples e em pouca quantidade. E uma fatia pequena, definida antes e respeitada, vai para as peças de afeto, aquelas que serão usadas duas vezes e guardadas para sempre. Assim, você compra com consciência sem transformar o enxoval em um exercício frio de planilha.

A lista do chá de bebê muda a conta

Por fim, lembre-se de que boa parte do enxoval chega de presente, e presentes tendem a se concentrar exatamente nas peças bonitas e nos tamanhos P e M. Uma lista de chá de bebê bem orientada, indicando tamanhos maiores e itens básicos, é a forma mais eficiente de melhorar o custo por uso de todo o conjunto, porque direciona a generosidade de quem quer ajudar para aquilo que sua família vai usar de verdade.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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