Mãe com o bebê no colo no quarto do bebêSaúde do Bebê

Cólicas do bebê: causas, alívio e quando se preocupar

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. O que se chama de cólica
  2. Quando começa e quando passa
  3. O que se sabe sobre as causas
  4. O que costuma ajudar
  5. Reduzir o estímulo
  6. Sobre medicações e produtos
  7. Quando não é cólica
  8. Quando investigar mais
  9. Cuidar de quem cuida
  10. Um alerta necessário
  11. Peça ajuda

Poucos momentos são tão desgastantes quanto segurar um bebê que chora sem parar, no fim da tarde, sem que nada pareça funcionar. As cólicas dos primeiros meses são uma das queixas mais comuns na pediatria e uma das que mais abalam a confiança de quem está cuidando. Entender o que se sabe sobre elas ajuda a atravessar a fase com mais informação e menos culpa.

O que se chama de cólica

Fala-se em cólica quando um bebê saudável, que se alimenta e cresce bem, apresenta episódios de choro intenso e difícil de consolar, sem causa aparente, repetidos por vários dias na semana. O padrão clássico envolve choro concentrado no fim da tarde e à noite, com o bebê encolhendo as pernas, endurecendo a barriga e ficando avermelhado.

Quando começa e quando passa

Costuma aparecer por volta das duas a três semanas de vida, atingir o pico em torno do segundo mês e melhorar progressivamente até os três ou quatro meses. Essa evolução previsível é uma das poucas certezas do tema, e serve de consolo em uma fase que parece não ter fim: ela termina, e termina sozinha.

O que se sabe sobre as causas

A verdade honesta é que não há uma explicação única. Entre as hipóteses discutidas estão a imaturidade do sistema digestivo, a composição da microbiota intestinal, a dificuldade do bebê em se autorregular diante de estímulos e a sensibilidade a proteínas alimentares em uma parcela dos casos. Muitas vezes, mais de um fator está envolvido, e em muitos casos não se identifica causa alguma.

O que costuma ajudar

Não há solução universal, e o que funciona com um bebê pode não funcionar com outro. Entre as medidas mais citadas: contato pele a pele e colo, que acalmam pela regulação corporal; movimento rítmico e caminhada; ruído constante de fundo; envolvimento suave em pano, com a técnica correta e com o quadril livre; banho morno; e massagem suave na barriga em movimentos circulares. Manter o bebê em posição vertical após as mamadas e arrotar com calma também costuma ajudar.

Reduzir o estímulo

Muitos bebês em crise de choro estão sobrecarregados de estímulo. Diminuir a luz, reduzir o barulho, afastar visitas e criar um ambiente mais calmo costuma ter efeito melhor do que tentar mais uma estratégia nova. Alternar de pessoa também ajuda: um adulto descansado acalma melhor do que um adulto exausto e tenso.

Sobre medicações e produtos

Circulam muitos produtos prometendo alívio: simeticona, probióticos, chás, compostos naturais. A evidência é variável e, em vários casos, fraca. Nada disso deve ser oferecido sem orientação do pediatra, sobretudo chás e ervas, que não são indicados para bebês pequenos. Existe também um risco real de intoxicação com preparações caseiras.

Quando não é cólica

Alguns sinais afastam o quadro de cólica simples e exigem avaliação: febre, vômitos frequentes ou em jato, sangue nas fezes, diarreia persistente, ganho de peso insuficiente, recusa alimentar, distensão abdominal importante, bebê muito prostrado ou choro com características diferentes do habitual. Nesses casos, procure atendimento.

Quando investigar mais

Se o choro for muito intenso e prolongado, especialmente se acompanhado de lesões de pele, sangue nas fezes ou dificuldade de ganho de peso, o pediatra pode investigar outras causas, como alergia à proteína do leite de vaca e refluxo com repercussão clínica. Essas investigações devem ser conduzidas profissionalmente, e não por tentativa de dietas restritivas por conta própria.

Cuidar de quem cuida

Esta talvez seja a parte mais importante e a menos dita. Ouvir um bebê chorar por horas é exaustivo e pode gerar sentimentos difíceis: raiva, impotência, vontade de sair de perto. Isso é humano e não faz de ninguém um mau cuidador. Se você sentir que está no limite, coloque o bebê em local seguro, como o berço, e saia do cômodo por alguns minutos para respirar. Peça revezamento sempre que possível.

Um alerta necessário

Nunca sacuda um bebê. O choro prolongado é justamente a situação em que ocorre a maior parte dos casos de traumatismo por sacudida, uma lesão grave e irreversível. Se a exaustão estiver insuportável, deixar o bebê seguro no berço chorando por alguns minutos é infinitamente mais seguro do que qualquer reação impulsiva.

Peça ajuda

Fale sobre isso nas consultas de rotina, mesmo que o pediatra diga que é uma fase. Peça ajuda prática à sua rede e revezamento nas noites difíceis. E lembre-se de que essa fase termina — a maioria das famílias olha para trás, poucos meses depois, e mal reconhece o período.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Diante de qualquer sinal de alerta, procure o pediatra.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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