Mãe com bebê no colo ao lado de roupinhas em uma araraRoupas de Bebê

Colar de âmbar e acessórios de dentição: o que a evidência diz

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. O risco de segurança
  2. O que dizem os fabricantes
  3. A questão da eficácia
  4. O desconforto da dentição é real
  5. Alternativas seguras
  6. Medicação e o que evitar
  7. Colares usados pelo adulto
  8. Se você já tem um em casa

Por volta dos quatro aos seis meses, quando começam os sinais de dentição, aparecem as sugestões de sempre. Uma das mais populares é o colar de âmbar báltico, vendido com a promessa de aliviar a dor da gengiva por meio da liberação de ácido succínico em contato com a pele. É bonito, é tradicional em algumas culturas e circula bastante nas redes. Também é, segundo as principais entidades de segurança infantil e pediatria, um item desaconselhado. Vale entender por quê.

O risco de segurança

O primeiro problema é de segurança, e é o mais grave. Qualquer colar, pulseira ou tornozeleira em um bebê representa risco. Um colar pode enrolar e causar estrangulamento, especialmente durante o sono ou quando o bebê fica sozinho em um berço ou cadeirinha. Se o fio se rompe, as contas soltas viram objetos do tamanho exato de risco de engasgo, e bebês nessa idade levam absolutamente tudo à boca. Órgãos reguladores de diferentes países emitiram alertas formais sobre esse tipo de produto após relatos de acidentes, incluindo casos fatais.

O que dizem os fabricantes

Os fabricantes costumam responder que os colares têm nós entre cada conta, para que apenas uma se solte em caso de ruptura, e fecho que abre sob tração. Esses recursos reduzem, mas não eliminam o risco. E, mesmo com eles, a orientação permanece a mesma: o produto não deve ser usado, e em nenhuma hipótese durante o sono ou sem supervisão constante.

A questão da eficácia

O segundo problema é de eficácia. A hipótese de que o ácido succínico do âmbar seria liberado pelo calor corporal, absorvido pela pele e produziria efeito analgésico não tem sustentação científica. Estudos que analisaram a questão não encontraram liberação significativa dessa substância em contato com a pele, nem evidência de absorção em quantidade capaz de produzir efeito. A melhora relatada por muitas famílias tem explicações mais simples: a dentição vem em ondas, com dias piores e melhores, e qualquer intervenção iniciada em um dia ruim tende a coincidir com a melhora natural.

O desconforto da dentição é real

Isso não significa que o desconforto da dentição seja imaginário. Ele é real, ainda que a intensidade varie muito entre bebês. Costuma envolver salivação aumentada, vontade de morder tudo, irritabilidade e sono mais agitado. Vale saber que febre alta, diarreia intensa e vômitos não são atribuíveis à dentição e merecem avaliação médica, porque atribuí-los ao dente pode atrasar o diagnóstico de outra coisa.

Alternativas seguras

As alternativas seguras existem e são bem simples. Mordedores de silicone ou borracha atóxica, sólidos e sem partes pequenas, são a primeira linha. Podem ser resfriados na geladeira, o que ajuda no alívio, mas nunca no congelador, porque o material endurece e pode machucar a gengiva. Um pano limpo e úmido, levemente gelado, funciona bem e custa nada. Massagear a gengiva com o dedo limpo alivia muitos bebês. E, a partir da introdução alimentar, alimentos frios e seguros, oferecidos com supervisão, também ajudam.

Medicação e o que evitar

Analgésicos podem ser usados quando indicados pelo pediatra, na dose adequada ao peso. O que deve ser evitado são géis anestésicos de uso tópico sem orientação, especialmente os que contêm benzocaína, alvo de alertas por reações adversas em bebês, e receitas caseiras com álcool ou substâncias não indicadas para crianças.

Colares usados pelo adulto

Quanto aos mordedores de silicone que se penduram no pescoço, incluindo os colares de amamentação usados pela mãe, a lógica muda: nesses casos, quem usa o colar é o adulto, e o bebê apenas manipula a peça com supervisão. Isso é diferente de colocar um colar no pescoço do bebê. Ainda assim, vale verificar a firmeza das contas e o comprimento do cordão.

Se você já tem um em casa

Se você já comprou um colar de âmbar, seja de presente ou por indicação, a orientação é simples: não o use no bebê. Ele pode virar uma lembrança guardada ou, se preferir, uma peça usada pelo adulto. E, se alguém da família insistir, vale compartilhar o motivo com tranquilidade: não se trata de superstição contra tradição, e sim de um risco documentado que não compensa um benefício que não se comprova.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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