Mãe com bebê no colo ao lado de roupinhas em uma araraRoupas de Bebê

Botões, laços e apliques: o que pode se soltar e virar risco de engasgo

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. O risco de engasgo e a medida de referência
  2. Laços e fitas: risco de enrolamento
  3. Apliques que se degradam com o uso
  4. A inspeção que leva trinta segundos
  5. O que observar na hora da compra
  6. Roupa de uso livre e roupa de ocasião
  7. Atenção redobrada com os presentes
  8. Puxar, olhar, sentir

Aquela roupinha com laço enorme, botão de pérola e aplique de bichinho costuma ser a mais elogiada do armário. Também costuma ser a que mais preocupa quem entende de segurança infantil. Bebês exploram o mundo pela boca, e qualquer peça pequena que se desprenda de uma roupa pode ir parar exatamente ali. Não se trata de abrir mão do que é bonito, e sim de saber o que observar, o que evitar e em que momento cada peça pode ser usada com tranquilidade.

O risco de engasgo e a medida de referência

O risco principal é o engasgo por objeto pequeno. A referência prática usada em segurança infantil é simples: qualquer item que caiba dentro de um tubo com cerca de três centímetros de diâmetro, aproximadamente o tamanho de um rolo de papel higiênico, é considerado risco para crianças pequenas. Botões decorativos, pérolas, olhinhos de apliques, pompons, miçangas, pedrarias e florzinhas costumam se enquadrar nessa medida. E o bebê não precisa arrancar com força: basta que a costura já esteja frouxa e que ele leve a peça à boca com insistência.

Laços e fitas: risco de enrolamento

Os laços e fitas trazem um risco diferente, que é o de enrolamento. Cordões longos em capuzes, tiras compridas na cintura, fitas de amarração no pescoço e mesmo aqueles laços decorativos com pontas longas podem enroscar em grades de berço, em brinquedos ou no próprio pescoço do bebê. É por esse motivo que as recomendações internacionais de segurança em vestuário infantil desaconselham cordões em capuzes e no pescoço em roupas para crianças pequenas, e que fabricantes sérios já não os utilizam nessa faixa etária.

Apliques que se degradam com o uso

Existem ainda os itens que se degradam com o uso. Apliques colados a quente, estampas emborrachadas e adesivos termocolantes tendem a craquelar e descolar após algumas lavagens, formando pedaços pequenos e flexíveis, que são especialmente perigosos porque grudam. Bordados de má qualidade soltam fios, e fios soltos podem enrolar em dedos e nos pés do bebê, formando garrote e cortando a circulação, um acidente conhecido e mais comum do que parece, sobretudo dentro de meias e luvinhas.

A inspeção que leva trinta segundos

A rotina de inspeção resolve boa parte disso e leva poucos segundos. Toda vez que a roupa sair da máquina, passe os olhos e as mãos pelos botões, apliques e costuras. Puxe cada botão com delicadeza para sentir se está firme. Vire a peça pelo avesso e procure fios soltos, cortando-os rente. Se um botão já ficou bambo uma vez, reforce a costura antes de guardar. Peças que perderam um botão ou um aplique devem sair de circulação até serem consertadas, e não voltar para a gaveta como estão.

O que observar na hora da compra

No momento da compra, alguns critérios ajudam a escolher melhor. Prefira botões de pressão metálicos ou plásticos embutidos, que são fixados por pressão mecânica e muito mais difíceis de arrancar do que botões costurados. Desconfie de peças muito baratas com muita decoração, porque decoração custa caro e economia costuma sair da qualidade da fixação. Evite roupas de dormir com qualquer aplique, botão decorativo ou fita, já que o bebê passa horas sozinho no berço, sem supervisão.

Roupa de uso livre e roupa de ocasião

Isso não significa banir as peças mais elaboradas. Um vestido com laço, um conjunto com botões charmosos ou uma roupa de festa podem ser usados perfeitamente em ocasiões supervisionadas, para fotos, batizado ou uma visita. A regra prática é separar mentalmente o guarda-roupa em duas categorias: roupas de uso livre, que o bebê pode usar deitado, brincando e dormindo sem que ninguém precise ficar de olho nos detalhes, e roupas de ocasião, que exigem presença atenta de um adulto e saem assim que o momento passa.

Atenção redobrada com os presentes

Vale também estender esse olhar para os presentes recebidos. Muita roupa que chega de presente vem carregada de detalhes, e é comum guardá-la no armário sem inspecionar. Antes de vestir qualquer peça nova, principalmente as de origem desconhecida ou muito ornamentadas, faça a mesma checagem de firmeza. Se um botão sair com pouca força na sua mão, ele sairia na do bebê também.

Puxar, olhar, sentir

Segurança em roupa infantil quase nunca aparece nas listas de enxoval, mas cabe em um hábito simples: puxar, olhar, sentir. Trinta segundos por peça, uma vez por lavagem, e o armário inteiro fica confiável.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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