GravidezSono na gravidez: posições, travesseiros e insônia do terceiro trimestre
Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura
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Existe uma ironia cruel na gestação: justamente quando o corpo mais precisa descansar, dormir se torna mais difícil. No primeiro trimestre, o sono costuma ser abundante e pesado, com sonolência ao longo do dia inteiro. No terceiro, o cenário se inverte, e muitas mulheres passam noites acordadas, mudando de posição, indo ao banheiro e tentando encontrar um jeito confortável de deitar. Entender o que muda e o que ajuda torna esse período mais suportável.
Por que dormir de lado
Sobre a posição, a orientação mais difundida é dormir de lado, com preferência pelo lado esquerdo, especialmente a partir da segunda metade da gestação. O motivo é circulatório: deitar de barriga para cima faz o peso do útero comprimir a veia cava inferior, que devolve o sangue das pernas ao coração, o que pode reduzir o retorno venoso, causar tontura, queda de pressão e diminuir o fluxo para a placenta. O lado esquerdo favorece essa circulação por causa da posição anatômica da veia cava.
Sem obsessão pela posição
Vale, no entanto, reduzir a ansiedade em torno disso. Acordar de barriga para cima acontece com quase todas as gestantes e não significa que algo tenha dado errado. O corpo costuma dar sinais de desconforto antes que haja qualquer problema, e a orientação prática é simplesmente voltar para o lado ao perceber. O objetivo é adormecer de lado, não vigiar a posição a noite inteira.
Como usar os travesseiros
Os travesseiros são o recurso mais eficiente para tornar essa posição confortável. A configuração que funciona para a maioria das mulheres envolve um travesseiro entre os joelhos, que alinha o quadril e alivia a lombar; um travesseiro apoiando a barriga por baixo, que reduz a tração dos ligamentos; e um apoio nas costas, que impede o rolamento involuntário para a posição supina. Travesseiros de corpo inteiro, em formato de U ou de C, fazem tudo isso em uma peça só, e por isso são tão populares na gestação. Não é necessário comprar um: dois ou três travesseiros comuns cumprem a mesma função.
As causas da insônia do terceiro trimestre
A insônia do terceiro trimestre tem várias causas simultâneas, e reconhecê-las ajuda a escolher a estratégia certa. Há o desconforto físico do volume abdominal, a azia que piora ao deitar, a falta de ar por compressão do diafragma, as cãibras noturnas, os movimentos do bebê, a necessidade frequente de urinar e, muitas vezes, a ansiedade em relação ao parto e à chegada do bebê. Cada uma dessas causas responde melhor a uma abordagem diferente.
Azia, banheiro e cãibras
Para a azia, elevar a cabeceira da cama e evitar refeições pesadas nas duas ou três horas anteriores ao sono costuma ajudar bastante. Para as idas ao banheiro, concentrar a hidratação ao longo do dia e reduzir o volume de líquidos nas horas finais da noite pode diminuir a frequência, sem nunca comprometer a hidratação total. Para as cãibras, alongamentos suaves antes de deitar e atenção à hidratação e à alimentação ajudam, e vale mencionar o sintoma nas consultas.
Quando a causa é ansiedade
Para a ansiedade, a estratégia é diferente e igualmente importante. Muitas mulheres relatam que acordam de madrugada e a mente dispara com listas, medos e planejamentos. Ter um caderno ao lado da cama para escrever o que aparece, evitar telas na cama, praticar respiração lenta e conversar sobre esses medos durante o dia, e não apenas às três da manhã, costuma reduzir bastante esse padrão.
Ajustes de ambiente
Alguns ajustes ambientais valem para qualquer causa: quarto escuro e fresco, roupa de dormir leve e confortável, rotina previsível de horário e um ritual de desaceleração antes de deitar. Muitas gestantes sentem calor excessivo à noite por causa das alterações circulatórias, e reduzir a temperatura do ambiente faz mais diferença do que parece.
As sonecas do dia
As sonecas diurnas merecem uma palavra. Se a noite está sendo ruim, cochilos curtos durante o dia são legítimos e ajudam a compensar. Sonecas muito longas ou tardias, porém, podem dificultar o sono noturno, e vale observar como cada uma afeta você.
Quando levar à consulta
Por fim, converse com quem acompanha a sua gestação sobre qualquer sintoma persistente. Ronco intenso, pausas na respiração, sonolência extrema durante o dia, pernas inquietas e insônia severa merecem avaliação, porque existem condições específicas do período que têm manejo próprio. Dormir mal na gestação é comum, mas isso não significa que você precise atravessar meses sem nenhum suporte.
Sobre quem escreve
Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.
