Gestante em casa segurando a barrigaGravidez

Exercícios e movimento na gestação: o que é seguro em cada trimestre

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. Comece pela liberação profissional
  2. Primeiro trimestre: cansaço e náusea
  3. Segundo trimestre: a melhor fase
  4. Terceiro trimestre: adaptações maiores
  5. O assoalho pélvico
  6. Sinais para parar imediatamente
  7. Atividades desaconselhadas
  8. Como medir a intensidade
  9. Sem buscar desempenho

Por muito tempo, a recomendação para gestantes foi essencialmente repousar. Hoje, o entendimento é praticamente o oposto: para a maioria das gestações sem complicações, manter-se ativa traz benefícios consistentes, como melhor controle do ganho de peso, redução de dores nas costas, menor risco de diabetes gestacional, melhora do sono e do humor, além de melhor disposição no pós-parto. A questão deixou de ser se a gestante deve se exercitar e passou a ser como, com que intensidade e com quais cuidados.

Comece pela liberação profissional

O ponto de partida obrigatório é a liberação do profissional que acompanha a gestação. Algumas condições contraindicam exercício, e apenas quem conhece o seu caso pode avaliar. Com a liberação em mãos, a orientação geral para gestantes saudáveis gira em torno de cerca de cento e cinquenta minutos de atividade moderada por semana, distribuídos em vários dias, o que equivale a mais ou menos trinta minutos na maioria dos dias da semana.

Primeiro trimestre: cansaço e náusea

No primeiro trimestre, o principal desafio costuma ser o cansaço e a náusea, e não a barriga. Muitas mulheres se sentem exaustas e enjoadas justamente na fase em que ainda poderiam se mover com mais liberdade. A recomendação prática é respeitar o corpo e reduzir a intensidade, sem abandonar o movimento. Caminhadas, natação, hidroginástica, ioga adaptada e musculação leve com acompanhamento funcionam bem. Quem já praticava um esporte regularmente pode, em geral, continuar, com ajustes de carga e intensidade.

Segundo trimestre: a melhor fase

No segundo trimestre, o quadro melhora para a maioria. As náuseas costumam diminuir, a energia volta e a barriga ainda não atrapalha muito. É o período em que dá para manter uma rotina mais consistente. Aqui entram duas adaptações importantes. A primeira é evitar exercícios deitada de barriga para cima por períodos longos, porque o peso do útero pode comprimir vasos importantes e causar tontura. A segunda é começar a prestar atenção ao equilíbrio, já que o centro de gravidade muda e o risco de queda aumenta.

Terceiro trimestre: adaptações maiores

No terceiro trimestre, o corpo pede adaptações maiores. O peso da barriga, a folga das articulações causada por alterações hormonais e a falta de ar por compressão do diafragma mudam o que é confortável. Atividades na água ganham destaque, porque tiram peso das articulações e trazem alívio imediato. Caminhadas mais curtas e frequentes funcionam melhor do que sessões longas. Exercícios de mobilidade de quadril, alongamentos suaves e trabalho respiratório passam a ter valor especial, porque preparam para o parto.

O assoalho pélvico

Um grupo muscular merece menção destacada em todos os trimestres: o assoalho pélvico. Fortalecer e, principalmente, aprender a relaxar essa musculatura ajuda a reduzir a incontinência urinária na gestação e no pós-parto e contribui para o trabalho de parto. O acompanhamento com fisioterapeuta pélvica, quando possível, é um dos investimentos mais úteis do período.

Sinais para parar imediatamente

Existem sinais que indicam parar imediatamente e procurar avaliação: sangramento vaginal, perda de líquido, contrações regulares, dor abdominal, dor no peito, falta de ar intensa antes do esforço, tontura, dor de cabeça forte, inchaço súbito ou visão embaçada. Vale ter essa lista clara na cabeça antes de começar qualquer rotina.

Atividades desaconselhadas

Algumas atividades são desaconselhadas por motivos específicos. Esportes com risco de queda ou de impacto abdominal, como esqui, hipismo, artes marciais de contato e ciclismo em terreno irregular, saem da lista. Mergulho é contraindicado. Exercícios em altitude elevada ou em calor extremo, com risco de superaquecimento e desidratação, também devem ser evitados. E qualquer atividade que exija prender a respiração com esforço máximo não é indicada.

Como medir a intensidade

O cuidado com a intensidade pode ser simples: use o teste da fala. Se você consegue conversar enquanto se exercita, a intensidade está adequada. Se não consegue completar uma frase, está forte demais. Somem-se a isso boa hidratação, roupas leves e respiráveis, sutiã com boa sustentação e calçado adequado.

Sem buscar desempenho

Por fim, ajuste as expectativas. Gestação não é época de buscar recordes pessoais nem de iniciar uma rotina extrema. O objetivo é manter o corpo em movimento, preservar força e disposição e chegar ao parto se sentindo bem. Se em algum dia o corpo pedir descanso, descansar é a escolha certa. Movimento na gestação é sobre constância e prazer, não sobre desempenho.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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