Mãe brincando com o bebê no tapeteDesenvolvimento

Bebês bilíngues e estímulo à linguagem no primeiro ano

Por Tiemi — consultora de enxoval · 4 min de leitura

Neste post
  1. O desenvolvimento da linguagem no primeiro ano
  2. Conversar é o estímulo mais eficaz
  3. A troca de turnos e a leitura
  4. Bilinguismo não atrasa a fala
  5. Estratégias para famílias bilíngues
  6. Por que telas não substituem interação
  7. Sinais que pedem avaliação
  8. O que sustenta a linguagem

Falar com um bebê que ainda não responde pode parecer estranho no começo, mas é uma das coisas mais importantes que um adulto faz pelo desenvolvimento dele. Muito antes da primeira palavra, o cérebro do bebê está processando sons, ritmos, entonações e padrões, construindo a base sobre a qual a linguagem vai se assentar. E, quando há mais de um idioma na casa, esse processo ganha uma camada extra de possibilidades, cercada de mitos que vale desfazer.

O desenvolvimento da linguagem no primeiro ano

Comecemos pelo desenvolvimento típico da linguagem no primeiro ano. Nos primeiros meses, o bebê já distingue a voz da mãe, reage a sons e produz vocalizações. Por volta dos três a quatro meses aparecem os primeiros balbucios e as risadas. Entre seis e nove meses, o balbucio se torna mais complexo e repetitivo, com sílabas encadeadas. Perto dos nove a doze meses, muitos bebês começam a compreender comandos simples, apontam, usam gestos como dar tchau e podem produzir as primeiras palavras com significado. A compreensão sempre vem antes da produção, e um bebê que ainda não fala pode já entender bastante.

Conversar é o estímulo mais eficaz

O estímulo mais eficaz é surpreendentemente simples: conversar com o bebê, de verdade, o tempo todo. Narrar o que você está fazendo, nomear objetos, descrever o que ele está vendo, comentar sobre a rotina. Esse tipo de fala rica em vocabulário, dirigida diretamente à criança, tem impacto documentado sobre o desenvolvimento da linguagem. Vale usar aquela entonação mais melódica e exagerada que sai naturalmente ao falar com bebês, porque ela chama atenção e destaca os limites entre as palavras.

A troca de turnos e a leitura

Igualmente importante é a resposta contingente. Quando o bebê vocaliza e você responde como se fosse uma conversa, esperando a vez dele, olhando nos olhos e reagindo ao que ele fez, você está ensinando a estrutura básica do diálogo. Essa troca de turnos é um dos preditores mais fortes de desenvolvimento linguístico. Leitura em voz alta desde os primeiros meses, com livros de imagens contrastantes e depois com histórias simples, também tem efeito consistente, além de criar um momento de vínculo.

Bilinguismo não atrasa a fala

Sobre o bilinguismo, o primeiro mito a derrubar é o de que dois idiomas atrasam a fala. A literatura atual não sustenta isso. Crianças bilíngues atingem os marcos de linguagem dentro das faixas esperadas. O que acontece é que o vocabulário pode se distribuir entre os dois idiomas, de modo que, contando apenas um deles, a lista parece menor. Somando os dois, o total é comparável ao de crianças monolíngues. Misturar palavras dos dois idiomas em uma mesma frase, fenômeno chamado de alternância de código, também é normal e não indica confusão.

Estratégias para famílias bilíngues

Existem diferentes estratégias para famílias bilíngues. A mais conhecida é a de uma pessoa, um idioma, em que cada adulto fala consistentemente na sua língua. Outra é a do idioma da casa, em que se fala uma língua dentro de casa e a criança aprende a outra no ambiente externo, na creche ou na escola. Não há uma estratégia comprovadamente superior. O que faz diferença é a quantidade e a qualidade da exposição, e a consistência ao longo do tempo. Exposição significativa e interativa é o que importa, e telas não substituem interação humana para esse fim.

Por que telas não substituem interação

Aliás, esse é um ponto que merece destaque. Estudos mostram que bebês aprendem sons e palavras de uma nova língua quando expostos a uma pessoa real interagindo com eles, mas não obtêm o mesmo resultado com vídeos e áudios equivalentes. Isso reforça que aplicativos e desenhos não são caminho para bilinguismo no primeiro ano, e as recomendações pediátricas seguem desaconselhando tempo de tela para bebês pequenos.

Sinais que pedem avaliação

Vale mencionar alguns sinais que justificam avaliação profissional, independentemente de a família ser bilíngue ou não. Ausência de balbucio até os nove meses, ausência de resposta a sons e à voz, ausência de gestos como apontar ou dar tchau por volta dos doze meses, perda de habilidades já adquiridas ou ausência de palavras isoladas perto dos quinze a dezoito meses merecem conversa com o pediatra e, se indicado, com um fonoaudiólogo. Bilinguismo não é explicação para atraso significativo, e atribuir a ele um atraso real pode postergar um cuidado necessário.

O que sustenta a linguagem

No fim, o que sustenta a linguagem, em uma ou em várias línguas, é a mesma coisa: presença, conversa, leitura e resposta. Um bebê que cresce cercado de gente que fala com ele, e não apenas perto dele, tem o melhor estímulo disponível, e esse recurso não custa nada.

Sobre quem escreve

Consultora de enxoval da Loja Tiemi, em Sorocaba. Desde 1984 a loja ajuda famílias a montar o enxoval do bebê — já foram mais de 15 mil enxovais montados.

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